“O real inimigo que estamos a enfrentar, todos nós estamos a enfrentar, não está apenas no Iraque, Síria ou Líbia. Na verdade, está a tentar atacar todo o mundo e é o terrorismo”, salientou o governante numa entrevista à Lusa em que não distingue os elementos da Irmandade Muçulmana que combatem as tropas egípcias no Sinai das forças do autodenominado Estado Islâmico na Síria ou na Líbia. Por isso – diz, num apelo à comunidade internacional – há que “juntar forças numa estratégia abrangente para o confronto”.

“E quando estou a falar de uma estratégia abrangente não quero limitar o significado da estratégia às dimensões de segurança ou militar apenas, mas há uma abordagem holística que inclui outras componentes e ingredientes, incluindo as militares mas também as dimensões económica, cultural , intelectual e que toque nas sociedades e nos modos de vida”, declarou.

A tomada de Mossul e a derrota militar do Estado Islâmico na Síria e no Iraque poderá levar à fuga de elementos radicais para outros “países onde as situações internas não ajudam muito, como é o caso da Líbia”, alertou al-Sisi, que defende uma maior cooperação das autoridades de informações e segurança no combate ao extremismo religioso. “É uma razão mais para trabalharmos juntos para impedirmos esta gente de procurar santuários e destinos seguros”, disse.

Na Europa, acrescentou, os políticos “estão todos muitos preocupados com imigrações, refugiados e ilegais”, mas é necessário que os esforços se dirijam ao “problema subjacente”, é preciso “tratar a doença e não só os sintomas”. “Terrorismo é uma encarnação de uma ideologia extremista e de um modelo de pensamento extremista” pelo que são necessários “critérios apertados para países que suportam o terrorismo, seja sob a forma de fundos ou de armas”, avisou o Presidente egípcio.

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No Sinai, “o Egito está a combater contra terroristas no solo egípcio. Não são insurgentes nem rebeldes”, mas terroristas, assegurou al-Sisi. Usar outros termos mais suaves “é completamente errado e não dá uma verdadeira tradução do que se está a passar no Sinai”.

Sobre eventuais ataques a populações civis ou a falta de observadores internacionais na zona, o Presidente egípcio salientou que “as preocupações de segurança” são prioritárias, mas negou que o regime esteja a cometer os crimes de que é acusado. “Estamos muito comprometidos em encontrar um equilíbrio entre as medidas de segurança e o respeito dos direitos humanos”, garantiu.