O objetivo do programa de trabalho é aplicar o Acordo de Paris, alcançado em dezembro de 2015, e limitar o aquecimento do planeta a um máximo de dois graus Celsius em relação à era pré-industrial.

Donald Trump foi lembrado nas últimas horas da COP22, com os negociadores determinados a lutar contra o aquecimento global, apelando ao seu “pragmatismo” e as ilhas Fiji a implorarem que os dirigentes mundiais ajam para salvarem os mais vulneráveis.

“A mensagem da COP22 para o novo presidente norte-americano é simplesmente dizer-lhe ‘contamos com o seu pragmatismo e o seu espírito de iniciativa”, declarou o presidente do evento, o marroquino Salaheddine Mezouar.

“A comunidade internacional está empenhada num grande combate pelo futuro do nosso planeta (…) pela dignidade de milhões e milhões de pessoas”, acrescentou Mezouar, ministro dos Negócios Estrangeiros de Marrocos, em declarações a jornalistas.

“Virámo-nos para a América nos dias sombrios da segunda guerra mundial”, declarou, em sessão plenária, o primeiro-ministro das Fiji, Frank Bainimarama, antes de acrescentar, dirigindo-se a Trump: “Vocês vieram salvar-nos na altura. Devem agora vir-nos salvar hoje”. As Fiji vão organizar a próxima COP, a 23.ª, mas esta vai decorrer em Bona, na Alemanha, por razões logísticas.

Surpresa e inquietação

No ano passado, em Paris, após anos de negociação, os Estados fixaram-se como objetivo conter a subida da temperatura média global “bem abaixo dos 2ºC” e rever em alta os seus compromissos de redução dos gases com efeito de estufa, atualmente insuficientes para concretizar aquele limite.

O resultado da eleição presidencial nos EUA, dois dias depois do início desta conferência, surpreendeu e inquietou negociadores e representantes da sociedade civil.

Expectativa e vontade inquebrantável de prosseguir ganharam depois a predominância nas manifestações públicas. Uns após outro, os representantes dos vários países, incluindo a China, que é o primeiro poluidor mundial, com 25% das emissões totais, e a Arábia Saudita, garantiram que respeitariam o Acordo de Paris. “A vontade da China de trabalhar com os outros países permanece”, assegurou o negociador chinês, Xie Zhenhua.

Uma “Proclamação de Marraquexe”, aprovada na quinta-feira por consenso, indica: “Nós, chefes de Estado e de governo e delegações reunidos em Marraquexe (…) apelamos ao máximo empenho político para lutar contra as alterações climáticas”.

Para o aumento da temperatura média mundial ficar abaixo dos 2ºC, as emissões dos gases com efeito de estufa têm de ser reduzidas de forma drástica até 2050, o que implica um abandono progressivo das energias fósseis.