O Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, encontra-se este sábado com Mitt Romney, um dos seus principais críticos dentro do Partido Republicano e uma hipótese longínqua de ser escolhido para secretário de Estado.

O senador Jeff Sessions, uma das vozes mais proeminentes contra a imigração e apoiante de Trump desde a primeira hora, foi nomeado Procurador-geral na passada sexta-feira num sinal de que Trump se prepara para seguir em frente com a linha dura contra a imigração assumida durante a campanha.

Para dirigir a CIA, Trump sugeriu o nome de Mike Pompeo, um dos “falcões” republicanos do Congresso, opositor estridente ao programa nuclear iraniano assinado pela Administração Obama e crítico destacado de Hillary Clinton durante as audições da líder democrata no seguimento do ataque à missão norte-americana em Bengasi, na Líbia, em 2012.

Michael Flynn, ex-diretor do Departamento Nacional de Informações Militares, assessor de Trump para as questões de defesa durante a campanha para a Casa Branca, será o seu conselheiro para a segurança nacional.

Horas depois do anúncio destas escolhas, o procurador-geral de Nova Iorque anunciou que Donald Trump vai pagar 25 milhões de dólares para encerrar três processos judiciais contra uma escola que criou para investidores no imobiliário.

As queixas sugeriam a existência de fraude, alegando que a qualidade da formação em investimento imobiliário disponibilizada pela dita Universidade Trump ficou sempre muito aquém do prometido. O processo perseguiu o candidato durante meses ao longo da sua campanha e o acordo agora anunciado evita a Trump embaraços futuros na escolha da sua administração.

Se as suas escolhas mostram que está trazer para a próxima administração várias figuras saídas da ala mais conservadora do Partido Republicano, Trump tem feito alguns esforços para transmitir à comunidade internacional e dar alguns sinais de estabilidade e de manutenção do papel dos Estados Unidos no mundo.

Alguns aliados têm-se mostrado inquietos sobre a intenção de Trump se manter fiel aos acordos de segurança e de livre comércio assinados pelos Estados Unidos durante a atual administração.

Romney — um republicano moderado, derrotado em 2012 na corrida à Casa Branca — é uma hipótese remota para a pasta de secretário de Estado, a par do antigo mayor de Nova Iorque, Rudy Giuliani.

Se escolhido, porém, Romney trará para a Casa Branca uma visão republicana da política externa norte-americana consideravelmente mais ortodoxa do que a defendida por Trump ao longo da campanha. Por exemplo, em 2012, Romney elegeu a Rússia como uma ameaça geopolítica de topo, num claro contraste com “namoro” entre Trump e Putin ao longo da campanha deste ano.

Não é, no entanto, evidente que possa vir a ser anunciada esta escolha. Muitos apoiantes de Trump não esquecem que Romney considerou o próximo Presidente como uma “fraude”, nomeadamente ao prometer banir a entrada nos Estados Unidos a todos os muçulmanos estrangeiros.