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O chef português José Avillez participou esta semana no festival gastronómico Round Tables, em Tel Aviv, Israel. Trata-se de um festival que decorrerá até final do mês e contará com a participação de vários chefs internacionais de renome, como o do Musket Room, em Nova Iorque, ou do La Bottega, em Génova.

Mas a visita de Avillez a Tel Aviv gerou críticas, nomeadamente por parte de elementos (alegadamente) ligados ao movimento pró-palestiniano “Boycott, Divestment and Sanctions”, ou BDS — um movimento criado em 2005 para exigir a imediata descolonização israelita e o derrube do muro da Cisjordânia.

Entretanto, o restaurante Cantinho do Avillez Porto, na rua Mouzinho da Silveira, acabaria por ser vandalizado na noite de sexta-feira, tendo a entrada deste sido pintada a tinta vermelha. Além da tinta, foram também afixadas mensagens como “Free Palestina” ou “Avillez collaborates with Zionist occupation”.

O ato não foi ainda reivindicado pelo BDS. O Observador sabe que José Avillez não vai apresentar queixa.

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Mas a polémica não começou na sexta-feira à noite. Nas últimas semanas, e desde que José Avillez foi confirmado como convidado do Round Tables em Tel Aviv, as ameaças sucederam-se, por carta, telefone ou via redes sociais. Curiosamente, Avillez não é o único chef visado. O francês Stéphane Jégo, do restaurante L’Ami Jean, e cansado de tais ameaças, resolveu responder via Twitter a quem o fazia: “[A BDS é] uma afiliação de pessoas que, na melhor das hipóteses, estão mal informadas, misturam tudo ou, na pior das hipóteses, são desonestas.” A mensagem foi entretanto apagada da conta do restaurante L’Ami Jean.

A propósito dos atos de vandalismo no Cantinho do Avillez Porto, o CEO do World Jewish Congress, Robert Singer, falou ao jornal The Times os Israel, considerando-os “anti-semitas”. “O movimento BDS mostrou a sua verdadeira cara. Ele provaram que não são apenas um grupo de vândalos; isto foi um ato anti-Semita. Atacar um chef português só porque este participou num festival em Tel Aviv é um ato desprezível”, atirou Robert Singer. E acrescentou: “Estes auto-proclamados ativistas dos direitos humanos são precisamente o oposto: eles espalham o ódio, não os direitos humanos.”