O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, citou nesta segunda-feira o Corão num jantar em honra do presidente egípcio, elogiando o efeito positivo na região e no mundo da imagem moderada do Islão pela qual o Egito se pugna.

“O que acontece hoje no Egito influencia a região e acaba por ter repercussão mundial. Por isso, se o Egito pugna por uma imagem moderada do Islão, isso tem um efeito muito positivo na região e também internacionalmente, incluindo na Europa”, disse Marcelo Rebelo de Sousa durante um jantar privado em honra de Abdel Fattah al-Sisi no Palácio da Ajuda, em Lisboa, discurso disponibilizado pela Presidência da República à agência Lusa.

O Presidente da República citou o Corão para expressar uma mensagem de reconhecimento ao homólogo egípcio — que termina na terça-feira uma vista de Estado a Portugal de dois dias – “em prol do diálogo inter-religioso, dando sinais muito concretos de que este constitui uma prioridade da presidência egípcia”.

“‘A Paz! É a palavra do Senhor Misericordioso’ (surata 36/versículo 58). ‘Que não haja imposição quanto à religião’ (surata2/versículo 256). ‘Vós tendes a vossa religião e eu tenho a minha’ (surata 109/versículo 6). São versículos sagrados do Corão, com mensagens de paz, harmonia e de respeito pelo próximo que promovem valores que todos aspiramos a que sejam universais”, afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que “Portugal acompanha com o maior interesse e simpatia os esforços do Egito no relançamento do processo de paz no Médio Oriente” através de “uma solução que obedeça aos preceitos das resoluções internacionais”.

O Presidente da República reiterou que “a segurança do Egito tem reflexos na segurança da região e também na segurança da Europa”. “A prosperidade do Egito é benéfica para Europa. Com isso em mente, Portugal continuará a pugnar pelo aprofundamento do diálogo entre a Europa e o Egito”, destacou. Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, esta visita de Abdel Fattah al-Sisi ocorre 24 anos após a última vista de Estado de um presidente egípcio a Portugal, destacando que de “1992 para cá o mundo mudou consideravelmente”.

“Era, portanto, mais do que tempo para os Chefes de Estado de Portugal e do Egito se encontrarem e materializarem esta antiquíssima tradição de amizade que une os nossos países. A relação entre dois Estados amigos também se faz de encontros a este nível”, defendeu. O chefe de Estado recordou a relação muito próxima de Portugal aos povos árabes. “Faz parte da nossa história, da nossa cultura, da nossa língua, do nosso ADN, o que nos enriquece e nos permite, ainda hoje, comunicar, de maneira muito própria, com o mundo árabe”, sustentou.