Da Polónia não chega apenas a vodka, ou a equipa nacional de futebol que impôs um empate à selecção portuguesa no seu caminho rumo à vitória no Euro 2016. Num dos maiores países europeus, está igualmente em avançado estágio de desenvolvimento o Arrinera Hussarya GT, um poderoso desportivo primordialmente destinado à competição, onde se deverá estrear em 2017, mas que tem já previsto o lançamento de uma versão “civil”, autorizada a circular na via pública e capaz de convencer os mais exigentes se utilizada num… track day.

Estreado em Goodwood no passado Verão, numa versão de pré-produção, o Hussarya GT foi o primeiro automóvel polaco a marcar presença no mundialmente célebre festival britânico, assentando num conceito marcado pela simplicidade e facilidade de condução e manutenção, capaz de apelar aos pilotos privados que busquem uma alternativa mais acessível aos carros de corrida usados das marcas de topo. Construído de forma a cumprir com os regulamentos da classe FIA GT3, conta com um chassi modular em aço, inspirado nas estruturas dos aviões Hurricane e Spitfire utilizados pelos pilotos polacos nas campanhas dos Aliados da Segunda Guerra Mundial, complementado por suspensões do tipo pushrod nas quatro rodas, com amortecedores Öhlins reguláveis.

O motor V8 atmosférico é oriundo do “banco de órgãos” da General Motors: trata-se do célebre small block do gigante norte-americano, com 7,0 litros de capacidade e que aqui estará apto a debitar mais de 505 cv. Da Hewland provém a caixa de seis velocidades sequencial com comandos no volante, ao passo que os travões são fornecidos pela Alcon, contando com discos de 380 mm de diâmetro e pinças monobloco de seis pistões.

a carroçaria foi desenhada em conjunto com especialistas em aerodinâmica da Universidade de Varsóvia, por isso prometendo um excepcional desempenho neste particular. Para o efeito, as suas formas definitivas foram criadas tendo em conta os resultados obtidos na análise computacional da dinâmica de fluidos, em túnel de vento e em condições de utilização reais.

Construído em Cambridgeshire, o Arrinera Hussarya GT não deixa, por isso, de homenagear a sua ascendência polaca e a ligação que une aquele país do Báltico à Grã-Bretanha no domínio do automobilismo. Muito devido aos feitos alcançados por Eliot Zborowski, e pelo seu filho, o Conde Louis Zborowski, dois pilotos com raízes na Polónia que desempenharam um papel importante nos primórdios do desporto automóvel britânico. Há até quem aponte ao primeiro a responsabilidade de, em 1903, ter sugerido que a cor da Grã-Bretanha nas corridas de automóveis do início do século passado fosse o verde, em homenagem à Irlanda – assim nascendo o mítico “British Racing Green”. Isto porque, devido às restrições de velocidades existentes em Inglaterra, foi na cidade irlandesa de Kildare que se disputou a Gordon Bennett Cup, competição percursora das corridas de Grande Prémio.

Para a história fica a paixão que pai e filho nutriram pelo automobilismo, que a ambos levou: o primeiro morreu em 1903, na subida de La Turbie, em França, aos comandos de um Mercedes 60, enquanto piloto de fábrica, o segundo no Grande Prémio de Monza de 1924, quando o seu Mercedes embateu contra uma árvore. O absoluto oposto do que se pretende para o novo Arriera, anunciado como um automóvel muito resistente, muito fiável e muito seguro. Piotr Frankowski, director de competição e de marketing da nova marca, explica a estratégia e os objectivos.

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