O cantor Pedro Barroso é um dos promotores de uma petição pública contra a vinda do Papa Francisco a Portugal, em 2017. Os signatários consideram que a deslocação de Francisco a Fátima se trata de uma atitude de “credibilização do ‘milagre’ de Fátima”, que é “uma falsidade”. Entre os primeiros subscritores encontram-se ainda o padre Mário de Oliveira (conhecido como padre Mário da Lixa, um sacerdote português, autor do livro Fátima, S.A., em que critica a “mentira de Fátima”) e o antigo vereador da Câmara de Torres Novas Carlos Tomé.

Segundo o manifesto, “o chamado ‘milagre dos três pastorinhos’ não passa de um autêntico embuste”, e “não é preciso grande esforço para chegar a esta conclusão, nem grande erudição teológica para analisar o caso”. Os promotores da petição vão mais longe e asseguram que basta “ler alguns documentos oficiais e livros de pessoas — algumas assumidamente católicas — com autoridade na matéria sobre o chamado ‘milagre’ de Fátima, para concluir pela sua total inconsistência”.

Por isso, lê-se no documento, a visita do Papa ao Santuário de Fátima “significa, de certo modo, a credibilização do falso ‘prodígio’, a ratificação da mentira, a oficialização de um processo ardiloso e inconcebível com objetivos essencialmente políticos, religiosos e económicos, destinado a enganar multidões de crentes desavisados e o povo em geral”. Os autores do manifesto escrevem ainda que “o melhor serviço que o Papa Francisco prestaria à verdade histórica seria não vir a Fátima”.

A petição ataca ainda o Papa Francisco, que tem uma atitude “mais estranha quanto ele tem sido um paladino de humanismo, com posições modernas e progressistas expendidas em diversos domínios, em defesa dos valores da verdade, dignas dos maiores elogios de católicos e não católicos”. Por isso, continuam, a “sua ratificação de tal secular burla na questão de Fátima” não se insere “na sua já notória causa de combate aos momentos menos claros e erros da Igreja Católica através dos tempos”.

O Papa Francisco estará em Portugal nos dias 12 e 13 de maio do próximo ano, para presidir às celebrações do centenário das aparições de Fátima. Francisco deverá chegar no dia 12 à tarde, à base aérea de Monte Real, e ficar até depois da hora de almoço de dia 13, regressando a Roma a partir do mesmo aeródromo. O líder da Igreja Católica não deverá passar, portanto, por mais nenhum lugar do país — até Lisboa ficará de fora do itinerário.