A chanceler alemã rejeitou esta quarta-feira os populismos de resposta fácil a problemas globais e difíceis, garantindo que a Alemanha não se vai isolar e continuará a defender os valores a economia social de mercado e a justiça social.

Num discurso no parlamento alemão (Bundestag), no primeiro ato público depois de ter anunciado que a recandidatura ao cargo no próximo ano, Angela Merkel declarou que a Alemanha “não pode resolver sozinha os problemas do mundo”, mas vai contribuir para isso juntamente com os aliados, UE e Estados Unidos.

Merkel defendeu o multilateralismo e, perante os populismos que exacerbam os medos dos cidadãos, lembrou a evolução positiva do país nos últimos anos: “Os alemães nunca estiveram tão bem como agora”.

Em relação aos refugiados, a chanceler afirmou que, apesar de todas as críticas, a Alemnaha pode estar orgulhosa da solidariedade e do trabalho realizado principalmente a nível municipal.

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“Apesar de todas as discussões e de todas as críticas, nos últimos anos houve um grande trabalho e uma grande solidariedade de que o nosso país pode estar orgulhoso”, afirmou.

Angela Merkel sublinhou a importância da nova lei de imigração, que permitiu “preencher um vazio que existia há muitos anos”, defendendo também o acordo entre a UE e a Turquia para travar o tráfico de pessoas em direção à Europa, essencial para a gestão da crise migratória.

“Temos que manter aberto o diálogo com Turquia, o que não exclui falar claramente sobre os desenvolvimentos alarmantes nesse país”, advertiu.

A chanceler referia-se à tentativa de golpe de Estado na Turquia e as purgas que as autoridades turcas continuam a realizar. Na altura, o governo alemão condenou a tentativa de golpe, mas Angela Merkel sublinhou, no seu discurso, que não justificava o abandono dos princípios fundamentais do Estado de direito

O Parlamento Europeu (PE) deverá pedir na quinta-feira uma suspensão das negociações de adesão da Turquia à UE, na sequência da purga no país, onde as autoridades detiveram, desde 15 de junho, mais de 35 mil pessoas.

Sobre a guerra na Síria, Angela Merkel denunciou os bombardeamentos “com pleno conhecimento” da localização dos hospitais de Alepo e voltou a lamentar que a Rússia apoie o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

“Temos na Síria uma situação que nos angustia todos os dias, quando vemos o que se passa em Alepo. Tenho que dizer muito sinceramente que há demasiados indícios de que estão a bombardear, com pleno conhecimento, também hospitais e centros médicos”, afirmou.

A chanceler lembrou que “isso está internacionalmente proibido” e incorre em processos penais.

“O regime de Al-Assad tem que saber isto e é muito lamentável que a Rússia apoie esse regime”, acrescentou Merkel, na intervenção perante o Bundestag, a câmara baixa do parlamento alemão, no âmbito do debate sobre o orçamento para o próximo ano.

Na passada segunda-feira, o executivo alemão pediu a Moscovo para exercer a sua influência junto do governo sírio para pôr fim aos ataques contra civis, ao mesmo tempo que considerou Moscovo “corresponsável pela situação catastrófica” em Alepo.

“Sem o intenso apoio militar da Rússia, o regime sírio não conseguiria prosseguir com ataques desta dimensão e contra a própria população”, afirmou Steffen Seibert, porta-voz do governo alemão, acrescentando que Moscovo “está obrigado” a exercer a sua influência sobre Damasco para travar a tragédia.