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A coligação Unidos Podemos, que junta o Podemos e a Esquerda Unida, recusou-se a participar num minuto de silêncio em memória da ex-presidente da Câmara Municipal de Valência Rita Barberá, que morreu esta quarta-feira na sequência de um enfarte. De acordo com o El País, os deputados do Unidos Podemos abandonaram os seus lugares do plenário do Congresso dos Deputados antes do início da homenagem.

Nas explicações que apresentou ao Congresso, Pablo Iglésias, líder do Podemos, deixou claro que, apesar de a morte ser uma coisa “terrível”, a coligação de esquerda não podia participar numa homenagem a alguém “cuja trajetória está marcada pela corrupção”. “Se calhar fazia mais sentido homenagear as vítimas da pobreza do que a corrupção”, frisou.

A posição foi corroborada por Íñigo Errejón, número dois do partido. No Twitter, o porta-voz do Podemos no Congresso frisou que a coligação não participaria “na homenagem póstuma” a Rita Barberá. Alberto Garzón, do partido Esquerda Unida, escreveu na mesma rede social que “na política” se deve “atacar sem piedade as ideias e respeitar as pessoas que as defendem”, lamentando que abundem “homenagens a personagens corruptas”.

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A posição tomada pelo Podemos e pela Esquerda Unida foi fortemente criticada Rafael Hernando, porta-voz do PP no Congresso. Questionado pelos jornalistas à saída do plenário, Hernando disse lamentar profundamente a atitude dos dois partidos, num ato que definiu como marginal”. “Pensei que eram pessoas de outro tipo, mas parece que não. Confirmaram-se os meus piores pesadelos”, afirmou. Apelando a uma “reflexão” por parte de Iglésias e do Podemos, Hernando defendeu que “existe um limite para tudo”.

“Creio que contra Barberá passou todas as fronteiras”, defendeu, acrescentado que a ex-presidente da câmara, também ela membro do PP espanhol, foi alvo de acusações injustas durante vários anos. Da parte do Partido Popular, o Fernando Martínez Maíllo também acusou o Unidos Podemos de terem atuado “miseravelmente”, cita o El País.