O antigo candidato presidencial venezuelano Henrique Capriles defendeu esta quinta-feira que 6 de dezembro deve ser o limite para se verem resultados do diálogo entre a oposição e o Presidente, Nicolás Maduro, iniciado no final de outubro.

Se no dia 6 de dezembro — esta é a minha opinião — não houver resultado, monsenhor [Claudi María Celli, representante do Vaticano para estas conversações], terá de fazer um enterro cristão a este esforço, e eu imagino que a Igreja não vá perder tempo”, declarou à emissora Unión Radio o governador do estado de Miranda (centro da Venezuela).

Capriles sublinhou que esta é uma posição individual que não compromete a aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD), representante da oposição nas conversações, e que até agora não definiu prazos definitivos para estes encontros.

O governador referiu também a troca de informações desta quarta-feira, quando anunciou que o Governo tinha abandonado a mesa de diálogo, tendo sido desmentido horas depois pelo próprio Presidente venezuelano. Capriles garantiu que esta informação tinha sido confirmada através dos mediadores que intervêm nas conversações em representação da União das Nações Sul-Americanas (Unasur) e do Vaticano.

No entanto, duas horas depois, Maduro — falando ao lado do antigo chefe do Governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, outro mediador — acalmou as dúvidas, assegurando que a delegação governamental se mantinha na mesa “com todo o compromisso, acima das baixezas”.

Capriles considerou esta quinta-feira que os opositores devem exigir a Zapatero que “se ele continuar como mediador, que seja sério”. Após quase um mês desde o início dos encontros entre os delegados, tanto o Governo como a oposição responsabilizam-se mutuamente do incumprimento dos compromissos adquiridos.