Manifestações como as previstas para sábado em Angola, contra a nomeação da filha do Presidente como administradora da petrolífera Sonangol, não devem ser usadas como uma oportunidade para punir quem critica o poder, advertiu, esta sexta-feira, a Amnistia Internacional.

Em comunicado, o diretor regional para o sul de África da organização de defesa dos direitos humanos, Deprose Muchena, instou, assim, as forças de segurança angolanas a protegerem – em vez de atacarem – os participantes nos protestos pacíficos agendados para Luanda e Benguela.

“Este fim de semana, as autoridades devem permitir aos manifestantes o exercício dos seus direitos de liberdade de expressão e reunião pacífica; os protestos populares não devem ser usados como uma oportunidade para punir as críticas”, sustentou.

“As autoridades angolanas têm-se esforçado, nos últimos anos, por calar as vozes dissonantes, inclusive usando as forças de segurança para arbitrariamente deter, encarcerar e mesmo eliminar aqueles que se erguem para exigir responsabilidade e boa governação”, referiu o responsável da AI.

A concluir o apelo, Deprose Muchena insistiu: “Instamos a polícia angolana a usar de moderação e a garantir a segurança de todos os manifestantes”.

A 2 de junho deste ano, o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, nomeou a filha, Isabel dos Santos, para encabeçar a administração da companhia petrolífera estatal Sonangol, uma medida contestada pelos movimentos que convocaram as manifestações de sábado.