Um juiz de Barcelona emitiu uma ordem europeia de detenção contra um milionário ucraniano que teve negócios com um dos elementos que fez parte da campanha de Donald Trump.

Segundo o jornal espanhol ABC, a ordem de detenção contra Dmitir Firtash foi emitida pela unidade espanhola contra a corrupção e o crime organizado e surge na sequência de suspeitas de ligações estreitas entre o oligarca da Ucrânia e o crime organizado. Firtash é acusado de ter usado Espanha para branquear dez milhões de euros que terão tido origem em atividades criminosas.

O multimilionário, considerado um dos homens influentes da Ucrânia, manteve no passado ligações comerciais com um colaborador chave da campanha presidencial de Donald Trump que foi seu porta-voz. Estas relações terão estado na origem do afastamento de Paul Manafort, um dos homens de confiança do então candidato republicano, em agosto passado.

NEW YORK, NY - JUNE 22: Campaign chairman Paul Manafort checks the podium before Republican Presidential candidate Donald Trump speaks during an event at Trump SoHo Hotel, June 22, 2016 in New York City. Trump's remarks focused on criticisms of Democratic presidential candidate Hillary Clinton. (Photo by Drew Angerer/Getty Images)

Paul Manafort demitiu-se da campanha de Donald Trump em agosto.

Manafort demitiu-se do cargo de porta-voz, três meses antes das eleições quando o milionário já tinha sido nomeado o candidato republicano e sob a pressão gerada pelas atividades de lobby que desenvolveu no passado a favor de oligarcas ucranianos pró-russos. A Ucrânia mantém um conflito com a Rússia de Vladimir Putin, em relação à qual Trump tem tido um discurso de desanuviamento. As “ligações perigosas” de Paul Manafort com milionários considerados próximos da máfia russa e de Vladimir Putin tornaram-se tóxicas para a campanha do candidato que anunciava ser independente de interesses financeiros.

O ucraniano Dmitri Firtash chegou a ser detido na Áustria, em resultado de uma investigação do FBI que o visava por atividades de corrupção na Índia, mas acabou por ser libertado em troca de uma caução de 125 milhões de euros, a mais alta de sempre fixada no país e que foi paga logo no dia seguinte.

As autoridades judiciais austríacas recusaram o pedido de extradição feito pelos Estados Unidos, argumentando que as provas não eram suficientes. É no quadro desta investigação que surge a ordem de prisão emitida pelas autoridades espanholas que realizaram ainda cinco detenções em Marbella e Barcelona relacionadas com a alegada rede de branqueamento de capitais associada ao milionário ucraniano que envolve contas bancárias em Espanha e movimentos financeiros suspeitos entre pessoas e sociedades.

A operação judicial é já considerada uma das mais importantes promovidas em Espanha contra as máfias com origem na antiga União Soviética.