A proposta de criação de um jardim no Caracol da Penha, na freguesia da Penha de França, foi a grande vencedora da edição deste ano do Orçamento Participativo de Lisboa. O projeto teve 9.744 votos, mais mil do que a segunda proposta mais votada — a reabilitação de um polidesportivo em Carnide.

O Caracol da Penha situa-se na Rua Cidade de Cardiff, a meio caminho entre a Avenida Almirante Reis e a igreja da Penha de França. Atualmente é um terreno sem utilização. Os apoiantes da proposta de criação de um jardim naquele local argumentam que a freguesia não tem um verdadeiro jardim público e que apenas é preciso requalificar o espaço, onde já existe abundante vegetação. A câmara tinha a intenção de construir um parque de estacionamento naquele sítio.

A criação deste jardim foi ativamente defendida através do Movimento Pelo Jardim do Caracol da Penha, um grupo de moradores das freguesias da Penha de França e de Arroios que organizou um conjunto de iniciativas ao longo dos últimos meses para promover este projeto. O esforço foi recompensado: é a primeira vez que uma proposta ao Orçamento Participativo obtém uma votação tão alta.

O jardim e a reabilitação do pavilhão em Carnide vão receber, cada um, 500 mil euros da Câmara Municipal de Lisboa.

O restante milhão e meio de euros que a autarquia destina a esta iniciativa vão para 15 outros projetos de âmbito local. “Carnide acessível para todos”, proposta que visa “a criação de rampas ou adaptação” em vias e passeios naquela freguesia, teve 6.147 votos e vai ser financiada com 150 mil euros. A “criação de um espaço verde na Estrada de Telheiras” obteve 967 votos e vai receber igual montante. Outro projeto, o de “construção de coberturas na escola básica Manuel Teixeira Gomes”, em Marvila, teve 734 votos.

O projeto menos votado foi o das “Oficinas Comunitárias da Memória nas BLX”, uma ideia para que os idosos partilhem “histórias de vida e memórias do quotidiano da cidade em décadas passadas” nas bibliotecas da cidade. Além disso, “recolhem-se documentos gráficos e fotografias que documentem o património material e imaterial dos bairros onde se localizam as bibliotecas”, o que deverá dar origem a um arquivo digital. Vai receber 20 mil euros.

Na edição do Orçamento Participativo deste ano estavam a votação 182 projetos.