Os seis administradores da Caixa Geral de Depósitos que se demitiram não têm direito a indemnização, uma vez que a renúncia ao cargo anula qualquer compensação salarial e, de acordo com informação avançada pela SIC, os gestores também não vão lutar por ela. O mesmo pode não acontecer com os restantes administradores que optaram por ficar na equipa mesmo após o pontapé de saída de António Domingues, e que se arriscam a não ser aceites na equipa pelo novo presidente — a designar. Nesses casos o Governo arrisca mesmo a ter de pagar indemnizações.

Na sequência do anúncio da demissão de António Domingues, houve outros administradores que acompanharam Domingues e que, assim sendo, só ficam em funções até final de dezembro: Emídio Pinheiro, Henrique Noronha e Menezes, Paulo Rodrigues da Silva, Pedro Norton, Angel Corcóstegui e Herbert Walter. O vice-presidente Rui Vilar ainda estaria na dúvidas mas, segundo o Jornal de Negócios, decidiu ficar.

A Rui Vilar juntam-se João Tudela Martins, Tiago Ravara Marques e Pedro Leitão, que optaram por ficar na equipa mesmo depois da demissão da maioria dos gestores. O problema é que ficam à condição, isto é, só se o próximo presidente quiser ficar com eles é que permanecem na equipa. Caso contrário, serão demitidos. Se isto acontecer, terão direito a reclamar indemnizações e, nesse caso, o Governo, não terá escapatória possível ao pagamento de indemnizações. De acordo com o Jornal de Negócios o Ministério das Finanças não tem sido claro, não respondendo explicitamente nem se os sete administradores que saem de livre vontade têm direito a indemnização, nem se os quatro gestores que permanecem podem reclamar remunerações extraordinárias caso a nova liderança não os inclua na equipa.

Segundo o jornal Expresso, João Tudela Martins e Tiago Ravara Marques saíram do BPI diretamente para a Caixa e não teriam a possibilidade de voltar ao lugar de origem. Já Pedro Leitão foi administrador da PT até ao caso do colapso do Grupo Espírito Santo e não estava na administração de nenhuma grande empresa antes de entrar nesta equipa da Caixa.

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O nome do próximo presidente do banco público deverá ser anunciado pelo Governo ainda esta semana, sendo que o nome proposto, e respetiva equipa, ainda terá de ser validado pelo Banco Central Europeu. O BCE, contudo, não tem um calendário fixo para analisar os currículos e dar ou não luz verde. Quer isto dizer que entre o final de dezembro — data em que os administradores demissionários deverão abandonar funções — e o supervisor bancário tomar uma decisão poderá haver um vazio de poder na Caixa. Certo é que o regime jurídico da banca abre portas a que haja uma administração provisória nomeada pelo supervisor.

Quando a equipa da CGD liderada por José de Matos abandonou funções teve de retirar as renúncias apresentadas para não deixar o banco num vazio de poder enquanto o BCE dava e não dava luz verde à equipa de António Domingues.