O ex-ministro da Educação, Nuno Crato, não tem dúvidas que a introdução de novas metas curriculares a matemática no ano 2013/14 e a introdução de provas finais no 4.º ano a matemática terão dado um contributo “importante” para os resultados conhecidos esta terça-feira. E, por isso, entende que para voltar a evoluir no desempenho a ciências se deveria apostar na introdução de novas metas e de uma avaliação externa.

O mais recente Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS), referente ao ano de 2015, mostra que os alunos portugueses voltar a melhorar o desempenho a matemática, alcançando a 13ª posição num ranking de 49 países. Portugal ultrapassou aquele que é o país muitas vezes apresentado como exemplo: a Finlândia. E Nuno Crato não deixa escapar essa boa notícia.

A matemática é uma das disciplinas mais importantes e estruturantes para o percurso escolar futuro dos alunos e para toda a sua vida, pessoal e profissional. O facto de ultrapassarmos a mítica Finlândia é um sinal visível, mas o importante é que continuemos a progredir”, reagiu Nuno Crato, ex-ministro da Educação.

Questionado pelo Observador sobre o que terá contribuído para esta melhoria de nove pontos face a 2011, Crato respondeu que “certamente foi importante termos estabelecido metas curriculares mais bem organizadas, com mais coerência e mais exigência. Assim como o facto de termos introduzido uma avaliação externa no 4.º ano, que ajudou estes alunos a trabalhar de forma mais organizada”, sem esquecer de referir “o esforço de professores, escolas, pais e alunos”.

Lembre-se que Nuno Crato foi o ministro da Educação responsável pela introdução de novas metas curriculares a matemática no 1.º e 3.º ano e 2013/14, que se estenderam aos 2.º e 4.º ano em 2014/15, portanto os 4.693 alunos do 4.º ano que foram submetidos a esta avaliação em 2015 já foram abrangidos pelas novas metas.

Metas essas bastante contestadas dentro e fora das salas de aula, pela sua extensão e inadequação à idade das crianças. Chegou mesmo a ser lançada uma petição para reavaliar as metas curriculares. Os críticos destas novas metas acusavam também o Executivo de estar a afunilar o currículo, dando apenas importância à matemática e ao português (que também teve novas metas).

Descida significativa a ciências

E a verdade é que esta sexta edição do TIMSS, terceira na qual Portugal participa, revela que os alunos pioraram o desempenho a ciências no 4.º ano, tendo tido “uma descida significativa de 14 pontos” relativamente à pontuação alcançada em 2011, caindo 13 posições, para o 32º lugar.

Para Nuno Crato, “haverá várias razões” para os resultados terem piorado a ciências. “Parece-me claro que, depois de ‘arrumar a casa’, avançando em matemática e português, áreas sem as quais não se progride, estaria na altura de introduzir metas curriculares igualmente organizadas e exigentes para o estudo do meio (ciências), e alguma forma de avaliação externa mais sistemática que permitisse acompanhar a evolução deste ensino e estimulá-lo”, defendeu o ex-ministro.

A principal lição, creio eu, é que quando se traçam objetivos precisos e se persiste neles, se consegue progredir. Creio que chegou a altura de o fazer para as ciências no 1.º ciclo.”

Embora o novo Executivo não tenha alterado as metas curriculares, já deu orientações às escolas para flexibilizarem os programas e as metas nos vários ciclos de ensino.

Crato reage a essa orientação dizendo que “as metas curriculares devem ser claras, objetivas, e exigentes”. “Deve-se dar liberdade nos métodos e estabelecer objetivos precisos, depois avaliados”. “São dois aspetos da mesma realidade: objetivos e avaliação. Faltando um, ou faltando os dois, o que ainda é mais grave, não se vê como se possa progredir.”