Depois das honras militares e do jantar de gala que marcaram o primeiro dia da visita de Estado dos reis de Espanha, esta terça-feira arrancou dedicada à tecnologia e à cooperação empresarial entre companhias portuguesas e espanholas em novos mercados. À tarde, Felipe VI e Letízia Ortiz chegaram a Lisboa, onde receberam a chave de honra das mãos de Fernando Medina antes de jantarem com António Costa no Palácio das Necessidades.

No discurso que proferiu no almoço empresarial oferecido aos monarcas espanhóis pelo presidente da Câmara Municipal do Porto, no Palácio da Bolsa, o rei de Espanha, Filipe VI, elogiou o “esforço, a tenacidade e o sacrifício” feitos que permitem agora “começar a vislumbrar o fim da crise económica”.

“Queria também referir as oportunidades que, num mundo globalizado, se abrem às empresas dos nossos países para cooperar em mercados terceiros. As nossas empresas devem aproveitar, como já fazem, todas as oportunidades que oferecem as regiões do mundo que nos são próximas pela língua e pela cultura e onde temos uma longa experiência. Evidentemente, sabemos que a Iberoamérica é assim e também países africanos de língua portuguesa, regiões nas quais as possibilidades de cooperar continuam a ser imensas”, declarou Filipe VI.

O rei de Espanha, recebido com gritos de “viva o rei” e “viva a monarquia” por alguns populares que os esperavam à chegada ao Palácio da Bolsa, enalteceu o que viu na visita feita ao Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto esta manhã e lembrou que há um horizonte comum “muito positivo no futuro, não isento de riscos, evidentemente”.

PORTO, PORTUGAL - NOVEMBER 29: King Felipe of Spain and Queen Letizia of Spain visit the Palacio de la Bolsa during their official visit to Portugal on November 29, 2016 in Porto, Portugal. (Photo by Carlos Alvarez/Getty Images)

A chegada ao Palácio da Bolsa, no Porto, para o almoço oferecido pelo presidente da Câmara. © Carlos Alvarez/Getty Images

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“Mas há um símbolo de história nos próximos anos, que celebraremos conjuntamente, que são os 500 anos desse projeto em comum de [Fernão de] Magalhães e [Juan Sebastián] Elcano”, em 2019, recordou o rei, perante um Salão Árabe onde se encontravam figuras como o bispo do Porto, o antigo ‘chairman’ da Caixa Geral de Depósitos, Álvaro Nascimento, ou o eurodeputado Paulo Rangel.

O rei aproveitou a oportunidade para elogiar também “a dedicação, o esforço e a valentia de numerosos empresários portugueses e espanhóis”, que contribuem diariamente para “a criação de emprego, para o progresso económico e para um maior bem-estar em Portugal e Espanha”.

Filipe VI é “um referencial de estabilidade política”

A visita oficial a Portugal iniciou-se na segunda-feira. Depois do Porto e de um jantar em Guimarães, os reis de Espanha partiram esta terça-feira às 15h00 em direção a Lisboa, onde foram recebidos (com meia hora de atraso) nos Paços do Concelho com honras militares.

Centenas de pessoas aguardaram na Praça do Município — bem como várias pessoas nas janelas e varandas dos edifícios circundantes – para ver os monarcas, que à chegada ouviram, ao lado do presidente da câmara lisboeta, os hinos de Espanha e de Portugal, tendo de seguida o rei e o autarca passado revista à guarda de honra, composta pelo Batalhão da Unidade de Intervenção da GNR com Estandarte Nacional e Banda da GNR.

Entre os discursos do rei e de Medina, já no salão nobre, os alunos da escola básica Adriano Correia de Oliveira e do Instituto Espanhol ofereceram quadros, enquanto o município escolheu como presente uma réplica em bronze da estátua de D. José I, original que se encontra na Praça do Comércio.

Já Fernando Medina ofereceu a chave de honra da cidade aos reis, que depois assinaram o Livro de Honra durante a cerimónia, que terminou com os fados “Foi Deus” e “Barco Negro” cantados ao vivo por Cuca Roseta.

O autarca deixou “uma palavra particular de reconhecimento” pelo “referencial de estabilidade política e promotor da imagem de Espanha” que tem sido o rei Filipe VI. Na opinião do socialista, “as forças de desintegração, de reforço dos nacionalismos, de alargamento das assimetrias norte-sul e de redução da solidariedade são contrárias aos interesses nacionais de ambos os países”.

Felipe VI e Letizia participam esta terça-feira à noite num jantar oferecido pelo primeiro-ministro, António Costa, no Palácio das Necessidades, sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa.

A visita de Estado dos reis de Espanha termina na quarta-feira com um discurso de Felipe VI na Assembleia da República, um encontro com a comunidade espanhola na residência oficial do embaixador em Lisboa e uma visita à Fundação Champalimaud, que conta com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Artigo atualizado às 20h30.