O escritório da ONU para a Coordenação da Ajuda Humanitária anunciou, esta segunda-feira, que precisará de 22,2 mil milhões de dólares (20,8 mil milhões de euros) para ajudar as vítimas de conflitos ou as pessoas atingidas por desastres naturais.

Este acréscimo de 10% às necessidades da agência no ano corrente justifica-se sobretudo pela deterioração das condições humanitárias em países como a Síria – que absorverá mais de um terço do orçamento (8,1 mil milhões de dólares/7,6 mil milhões de euros) -, Iémen ou Sudão.

No total, o apelo lançado, esta segunda-feira, pelo escritório (OCHA, na sigla inglesa) tem como objetivo fazer chegar ajuda humanitária a 93 milhões de pessoas em 33 países, quase dois terços dos quais em África.

Este é o maior montante que este escritório – que dá apoio às agências da ONU, assim como às organizações não-governamentais nas questões humanitárias – alguma vez solicitou, de acordo com o seu dirigente, Stephen O’Brien, citado pela agência Associated Press.

“Isto reflete um estado das necessidades humanitárias no mundo que não víamos desde a Segunda Guerra – mais de 128 milhões de pessoas precisam urgentemente do nosso apoio e solidariedade para sobreviver e viver em segurança e com dignidade”, afirmou O’Brien, em declarações aos jornalistas em Genebra.

“Mais de 80% das necessidades resulta de conflitos provocados pelo homem, muitos dos quais chegaram a um impasse e precisam de cada vez mais ajuda humanitária ao longo dos anos”, continuou o diretor do OCHA.

Apelos como este, correspondente ao programa Resposta Humanitária Global, geralmente não atingem os montantes pretendidos e são baseados em estimativas, mas estabelecem referências importantes para as necessidades em todo o mundo.

De acordo com um comunicado do OCHA, os conflitos no Iémen, Síria, Sudão do Sul e Nigéria são os que suscitam maiores preocupações, mas as alterações climáticas e catástrofes naturais, como as provocadas pelo El Niño, “estão a empurrar muitas comunidades para o limiar da sobrevivência”.