Rádio Observador

Casa Branca 2016

Telefonema entre Trump e Taiwan foi planeado durante meses

Ainda Donald Trump não era o candidato oficial do Partido Republicano e já tinha intenção de falar com a presidente de Taiwan. É isso que garantem membros da equipa do presidente eleito.

Trump está consciente da política "One China", garantem os seus conselheiros

Brian Blanco/Getty Images

O telefonema entre Donald Trump e a líder de Taiwan, que gerou tensão nos meios diplomáticos norte-americanos e chineses, estava a ser planeado há meses como um gesto propositadamente provocador. Alguns conselheiros do presidente eleito dos Estados Unidos da América explicaram ao The Washington Post que a chamada telefónica já estava no horizonte do milionário ainda antes de ser nomeado candidato pelo Partido Republicano.

A conversa entre Trump e Tsai Ing-wen, presidente de Taiwan, decorreu na sexta-feira. Os Estados Unidos estão oficialmente de relações cortadas com Taiwan, República da China, desde 1979. No Twitter, Donald Trump escreveu que tinha sido Tsai Ing-wen a telefonar e não o contrário. O mesmo disse Mike Pence, futuro vice-presidente, numa entrevista à televisão ABC.

“A Presidente de Taiwan TELEFONOU-ME hoje para me dar os parabéns por ganhar a presidência. Obrigado!”

Certo é que o nome da presidente de Taiwan estava escrito numa lista de líderes estrangeiros que a equipa de Trump definiu como telefonemas prioritários logo após as eleições de 8 de novembro. “Desde muito cedo que Taiwan estava na lista”, disse Stephen Yates, líder do Partido Republicano no estado de Idaho e especialista em assuntos chineses, ao The Washingnton Post. “Eles sabiam que haveria uma reação”, afirmou o responsável.

Isso não significa que tenha sido Trump a fazer a chamada. Os líderes mundiais estão a “pôr-se na fila” para falar com o presidente eleito americano. “Por sorte, por estratégia ou o que quer que seja, o pedido de Taiwan subiu na fila”, disse Yates ao jornal regional Idaho Statesman.

À agência Reuters, um membro da equipa de Tsai Ing-wen admitiu que a chamada foi planeada previamente por ambas as partes. “Claro”, disse Alex Huang. Trata-se, aliás, de uma prática comum quando dois chefes de Estado pretendem contactar-se. Richard Grenell, um membro da equipa de transição de Trump, sublinha ao The Washington Post que este telefonema dá-se duas semanas depois de o presidente eleito ter falado com Xi Jinping, líder chinês, e afirma que a chamada foi politicamente inócua.

Os Estados Unidos apoiam oficialmente a política que recusa separatismos face à China e, segundo os conselheiros de Trump, essa linha é para manter. No entanto, este telefonema pode significar uma mudança de atitude face ao regime de Pequim, de que o presidente eleito tem sido um crítico — sobretudo no que diz respeito às relações económicas com os Estados Unidos.

No Twitter, Donald Trump reagiu às críticas internas…

“Interessante como os Estados Unidos vendem equipamento militar de milhares de milhões de dólares a Taiwan e eu não posso atender um telefonema de parabéns.”

…e também externas. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Geng Shuang, não gostou do gesto de Trump e pediu ao novo presidente norte-americano que reafirmasse que Taiwan “é uma parte inalienável do território da China”.

“A China perguntou-nos se podiam desvalorizar a moeda (tornando mais difícil a concorrência às nossas empresas), taxar fortemente os nossos produtos que vão para lá (os EUA não os taxam) ou construir um complexo militar maciço no meio do Mar do Sul da China? Não me parece!”

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)