Liga dos Campeões ou Liga Europa, agora escolha. É o dilema do Porto no Dragão, com o Leicester, na última jornada da Liga dos Campeões. Basta imitar o Copenhaga em Brugge e o nome de Portugal soa a dobrar no sorteio dos oitavos, na próxima terça-feira.

A passadeira vermelha está estendida. Desde muito cedo, aliás. O sorteio é generoso para o Porto, sem um adversário que concilie experiência de Liga dos Campeões e categoria internacional à sua imagem. Um empate em casa a abrir (Copenhaga 1-1) seguido de uma derrota (1-0 do Leicester) mexem com o orgulho. A reacção é pronta, com duas vitórias seguidas vs. Brugge e abre-se o caminho para os oitavos-de-final. Só falta ganhar em Copenhaga e pronto. Nada feito, zero-zero. Adiante. Só falta ganhar ao Leicester e pronto. Vamos ver. Sem Slimani, Vardy e Mahrez, o campeão inglês é uma espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde: na Europa, 13 pontos (e um golo sofrido) em cinco jogos; na Premier League, os mesmos 13 pontos em 14 jogos.

E agora? O Porto dá-se bem com equipas inglesas em Dezembro no Dragão: dois-j’um ao Chelsea de Mourinho em 2004, zero-zero com o Arsenal em 2006 e dois-zero ao Arsenal em 2008. Detalhe: o 2-1 ao Chelsea é também a um 7 Dezembro e é uma vitória de virada (Duff, Diego e McCarthy). Bola extra: o guarda-redes portista dessa gloriosa noite europeia é Nuno. Só mais isto: e o lateral-esquerdo, quem é? A-r-e-i-a-s. E agora? Só um campeão inglês em cinco ganha no Dragão, é o United de Ferguson em 2009, com aquele golo do meio da rua de Ronaldo. Antes, dois empates (1997, United 0-0 + 2007, Chelsea 1-1) e duas vitórias (2004, United 2-1 + 2005, Chelsea 2-1).

E agora? Agora, nada. É esperar pelas 21h30, mais coisa menos coisa, quando o árbitro apitar para o fim. Do jogo e da fase de grupos. Que, por sinal, é o G. O Porto está no grupo G e isso não é necessariamente um bom sinal: em três das cinco vezes, é relegado para a Liga Europa (2011-12, 2013-14 e 2015-16). No último caso, a despromoção é efectivada pelo campeão inglês Chelsea naquele desnorte maiúsculo de Lopetegui, com três centrais (Maicon, Marcano e Indi) e zero avançados (Corona e Brahimi cruzam para quem?).

Calma, há boas notícias. Em 2006-07 e 2008-09, o Porto de Jesualdo joga a última jornada do grupo G da Liga dos Campeões em casa vs equipas inglesas e qualifica-se para os oitavos. Em ambos os casos, a vítima (por assim dizer) é o Arsenal de Wenger. Primeiro, 0-0. Depois, 2-0 por Bruno Alves e Lisandro. Esta noite, o cliente é o Leicester. De Ranieri, de quem o Porto até nem tem boas memórias por aí além, à conta do 2-1 do Valencia na Supertaça europeia, em 2004. Na altura, o italiano treina o clube espanhol e ganha com golos de Baraja (32′) mais Di Vaio (67′) contra o de Quaresma (78′). Adivinhe quem está no banco do Porto? Nuno Espírito Santo. Como guarda-redes suplente, claro. Como treinador, outro galo cantará.