Há mais um nome para o gabinete de Trump: Andrew Pudzer, diretor-executivo da empresa que gere as cadeias de fast-food Hardee’s e Carl’s Jr, é o nome do Presidente-eleito para a pasta do Trabalho.

Tal como Trump, Pudzer também não chega ao cargo como um completo desconhecido: nunca fez segredo da sua feroz oposição a algumas das reformas laborais instituídas pela Administração Obama além de se opor ao aumento do salário mínimo, uma antiga luta dos trabalhadores não-qualificados americanos, 10% dos quais empregados precisamente nos ramos da restauração e hotelaria.

Além de ser contra o aumento do salário mínimo (atualmente nos nove dólares mas a luta é pelos 15), Pudzer também tem lutado contra os esforços da Administração anterior em expandir a elegibilidade dos trabalhadores para o pagamento de horas extraordinárias e opõe-se ao Affordable Care Act, o seguro de saúde criado por Obama com o objetivo de garantir o acesso de mais pessoas à saúde, que, nos Estados Unidos, não é um serviço gratuito que o Estado garante. Quanto ao salário mínimo, Pudzer acredita que a sua obrigatoriedade significaria uma perda de lucros para os pequenos negócios e , no limite, um aumento da taxa de desemprego já que os trabalhadores menos qualificados seriam facilmente despedidos para cortar na despesa.

Os seus críticos citam também a sua falta de experiência para o cargo já que o empresário sempre trabalhou no setor privado e em apenas um ramo de atividade.

As tiradas sexistas também fazem parte do seu CV: “Adoro ver mulheres bonitas, de bikini, a comerem hamburgers, é uma coisa super americana”, disse sobre um dos anúncios dos seus restaurantes.

O Instituto Nacional de Lei no Trabalho (NELP, na sigla em inglês), um grupo apoiado por vários sindicato que luta pelos direitos dos trabalhadores com salários baixos disse ao New York Times que “é difícil pensar em alguém menos qualificado para um lugar cujo principal objetivo devia ser o de recordar os trabalhadores esquecidos da América”, disse a diretora executiva da NELP Christine Owens. “Pudzer será um grande amigo dos seus amigos na indústria dos salários baixos que devem estar a salivar pela perspetiva de poderem vir a anular todos os esforços da Administração Obama para a subida de salários, melhoramento das condições de segurança no trabalho e monitorização das ilegalidades que se passam dentro das grandes empresas”.

Já Matt Haller, porta-voz da empresa de Pudzer, disse: “se tivermos mais líderes como ele na comunidade empresarial acho que será muito fácil lutar contra todas as regulamentações impostas pela administração anterior que atrofiam o nosso crescimento”.

Andrew Pudzer gere 3,750 restaurantes, espalhados por 40 países e 44 estados americanos. A empresa emprega cerca de 75 mil pessoas nos Estados Unidos e quase 100 mil em todo o mundo segundo números publicados pelo diário norte-americano Washington Post.