O banco italiano Monte dei Paschi assegurou que pretende avançar com o plano para levantar cinco mil milhões de euros junto de investimentos privados até ao final do ano, evitando uma intervenção com fundos públicos que poderia forçar uma resolução.

Em comunicado, emitido no domingo, o terceiro maior banco de Itália acrescentou que vai tentar obter fundos junto de 20 mil investidores de retalho que controlam 2,1 mil milhões de euros em obrigações. A proposta em cima da mesa passa pela troca dessas obrigações por novas ações.

A instituição já levantou mil milhões de euros de investidores institucionais usando um método similar e pretende obter um investimento adicional de mil milhões de euros do fundo soberano do Qatar. No entanto, esta operação de troca de dívida por capital exige a autorização da Consob, o supervisor do mercado financeiro italiano.

No rescaldo do resultado do referendo italiano e da demissão do primeiro-ministro, Matteo Renzi, o Monte dei Paschi pediu um adiamento até 20 de janeiro para levantar o capital que necessita para cumprir os rácios e evitar assim uma resolução. Mas este pedido foi rejeitado pelo Banco Central Europeu, soube-se na sexta-feira.

A recusa do BCE em dar mais tempo ao banco que falhou os testes de stress deu origem a rumores de que o Monte dei Paschi poderia ser alvo de uma resolução com financiamento público durante o fim-de-semana, como aconteceu com o Banco Espírito Santo e com o Banif.

O convite feito ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paolo Gentiloni, um homem considerado próximo de Renzi, para formar Governo em Itália deu um sinal de confiança aos responsáveis do banco para prosseguirem com a recapitalização através de fundos privados, evitando uma intervenção do Estado que poderia ser considerada uma ajuda de Estado, forçando uma resolução.