A Reserva Federal dos Estados Unidos anunciou esta quarta-feira uma subida de 0,25 pontos percentuais na taxa diretora para os empréstimos de curto prazo, a segunda vez desde o início da crise em 2008, sinalizando ainda que o ritmo de subidas nas taxas de referência vai ser mais rápido em 2017 do que o inicialmente previsto, em resposta aos planos da administração de Donald Trump para estimular o crescimento económico.

A instituição liderada por Janet Yellen diz que as expetativas de inflação aumentaram “consideravemente” e que esta está a aproximar-se da meta de cerca de 2%, para além de haver melhorias no mercado trabalho. Estas mudanças justificam o aumento agora decidido.

A Reserva Federal indicou ainda que deve aumentar as taxas de juro mais rápido que o que estava previsto. Para 2017, a Fed previa aumentar as taxas de juro duas vezes, em 0,25 pontos percentuais cada, mas agora indica que deverá aumentar as taxas três vezes, também com subidas de 0,25 pontos percentuais.

A decisão de aumentar a taxa de juro já era esperada, e a própria Janet Yellen fez questão de retirar importância ao ritmo mais acelerado de subidas nas taxas de juro previsto para o próximo ano, dizendo que é apenas um ligeiro ajuste ao caminho que já estava traçado.

O anúncio surge depois de o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ter acusado a presidente da Reserva Federal de ter mantido as taxas de juro baixas para ajudar os democratas nas eleições, uma acusação negada por Janet Yellen e que ainda faz correr tinta sobre quais serão as intenções de Donald Trump em relação à presidente do banco central norte-americano.

Agora, na conferência de imprensa que se seguiu à decisão, a responsável diz que os planos de estímulo adicionais previstos pelo presidente eleito – que incluem cortes de impostos sobre os mais ricos e sobre as empresas, e investimento em infraestruturas – podem ter impacto nas perspetivas económicas dos Estados Unidos.

No entanto, diz a responsável, na perspetiva da Reserva Federal a economia dos Estados Unidos não precisa de mais estímulos para chegar ao que a Fed considera de pleno emprego (que não é a completa eliminação da taxa de desemprego), ou seja, que Barack Obama deve deixar a presidência com a economia no caminho certo para a recuperação total, melhor do que quando entrou, e que os planos de Donald Trump não seriam necessários, pelo menos no que à criação de emprego diz respeito.