Uma quinta na Nova Zelândia, em Gaunt Creek, encontra-se sobre uma das falhas sísmicas mais perigosas do mundo e é considerada o novo “santuário” dos geólogos, que cada vez mais se interessam em descobrir os segredos que aquele chão esconde. Segundo o The Guardian, Gray e Vicki Eatwell são os proprietários da quinta que se encontra sobre a falha geológica Alpina, situada fora da pequena aldeia de Whataroa, na Nova Zelândia. Quando tomaram posse das terras, em 2011, mal sabiam o que lhes esperava.

Na altura o casal não contava com as dimensões que este fenómeno poderia vir a ter, mas rapidamente se mostrou contagiado pelos cientistas que, constantemente, o abordava e pedia permissão para atravessar as suas terras e estudar a falha sísmica. Foi então que Gray e Vicki começaram a organizar, em 2014, excursões para os curiosos que quisessem estar mais perto e conhecer o local. Esta iniciativa, no mínimo invulgar, tem sido apoiada por muitos geólogos através de donativos para ajudá-los a promover este tipo de turismo.

O The Guardian conta que Gaunt Creek tem tido contribuições muito positivas para o estudo sísmico, principalmente devido à fácil perfuração da falha sísmica, o que permite que sejam realizadas medições de temperatura, pressão e som que ajudam a compreender a formação dos terramotos. A variedade de rochas que foram trazidas à superfície é também considerada uma mais valia para estudar as consequências e cicatrizes de atividades sísmicas passadas.

Em declarações ao The Guardian, Hamish Campbell, geólogo e paleontólogo, realça a importância da falha Alpina para a comunidade científica e diz que o seu interesse pelo local não é só de agora.

“O grande interesse na falha geológica Alpina não vem só desde os últimos terramotos que ocorreram. Nos anos 70, quando era estudante, fui a Gaunt Creek e pensei que a falha era irrelevante porque não se sabia se ia ou não mover-se outra vez. Hoje em dia, o conhecimento evoluiu exponencialmente e sabe-se que a falha Alpina vai acabar por se mover novamente, e em breve”, acrescenta Campbell, que já visitou Gaunt Creep, pelo menos, 20 vezes durante a sua carreira.

Esta falha geológica estende-se ao longo de 500km da costa de South Island, na Nova Zelândia, e há previsões para a ocorrência de terramotos de magnitude 8, ou até mesmo superior, a cada 330 anos.