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Transportes

Comboio da Fertagus tirou da Ponte 20 mil viaturas por dia. Metro aquém das expectativas

O comboio na ponte 25 de abril e o metro de superfície vieram melhorar a mobilidade em Almada e Setúbal e possibilitaram que a travessia do rio fosse feita em poucos minutos.

A Fertagus diz que o comboio que faz a ligação entre as duas margens do Tejo deu um contributo decisivo para a retirada de mais de 20 mil viaturas por dia da ponte 25 de Abril

INACIO ROSA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O comboio na ponte 25 de abril e o metro de superfície melhoraram a mobilidade no concelho de Almada e península de Setúbal, mas continua por cumprir o alargamento da rede de metro a outros concelhos da margem sul.

Inaugurada a 29 de julho de 1999 pelo então primeiro-ministro António Guterres, a nova travessia ferroviária do Tejo foi o primeiro passo para uma mudança radical na vida de muitos almadenses e da população da península de Setúbal, que passou a ter a possibilidade de atravessar o rio em meia dúzia de minutos, trocando as intermináveis filas de automóveis pela comodidade e rapidez do comboio.

Segundo a Fertagus, concessionária daquele serviço ferroviário, o comboio que faz a ligação entre as duas margens do Tejo transportou mais de “315 milhões de passageiros em 17 anos” e deu um contributo decisivo para a “retirada de mais de 20 mil viaturas por dia da ponte 25 de Abril, o que significa uma redução de 13 mil toneladas de emissões de CO2 por ano”.

Tal como o comboio na ponte 25 de abril, também o Metro Transportes do Sul (MTS), mais conhecido por Metro Sul do Tejo, constitui um marco importante para o concelho de Almada. O primeiro troço do MTS foi inaugurado em 2007 e a rede atual, que abrange os concelhos de Almada e do Seixal, está a funcionar desde finais de 2008. No ano passado, segundo a própria empresa, o Metro Sul do Tejo transportou mais de “10,9 milhões de passageiros, o que representa um aumento de 7,7% face ao ano anterior”.

O presidente da Câmara de Almada, Joaquim Judas, reconhece a importância destes novos meios de transporte para o concelho a que preside, embora lamente que ainda não tenha sido resolvido o “problema de estacionamento e articulação do estacionamento automóvel com a bilhética, de forma a aumentar a atratividade do transporte ferroviário”.

No que respeita ao Metro Sul do Tejo, Joaquim Judas considera que se trata de um projeto de futuro, atendendo aos “desafios colocados pelas alterações climáticas, que apontam para a importância deste tipo de meios de transporte menos poluentes”. O autarca defende, no entanto, que a sustentabilidade do Metro Sul do Tejo depende da extensão da rede aos concelhos do Barreiro e da Moita, tal como estava previsto inicialmente.

“O Metro de superfície tem uma boa ligação ao comboio no Pragal, mas é uma promessa adiada naquilo que são outras zonas de grande concentração populacional — Arrentela, Amora, Cruz de Pau, Charneca da Caparica, Trafaria e Costa da Caparica –, para já não falar do facto de não ter chegado a outros concelhos como estava previsto, designadamente aos concelhos do Barreiro e da Moita”, lembra o presidente da Câmara de Almada.

Apesar de reconhecer as vantagens do Metro, em termos de mobilidade, o presidente da delegação de Almada da Associação de Comerciantes do Distrito de Setúbal, Gonçalo Paulino, lembra que alguns comerciantes do centro da cidade ainda hoje reclamam o pagamento de indemnizações pelos prejuízos que sofreram durante a realização das obras.

“Ainda está a correr uma ação judicial movida por alguns comerciantes que exigem ser ressarcidos pelos elevados prejuízos que sofreram durante a realização das obras do Metro”, afirma o representante dos comerciantes de Almada, depois de recordar que “o calendário do período de obras não foi cumprido (…), alguns comerciantes foram muito prejudicados devido à dificuldade de acesso aos seus estabelecimentos e perderam-se cerca de 400 a 500 lugares de estacionamento”.

“Só recentemente a autarquia repôs cerca de uma centena de lugares de estacionamento num espaço que antes tinha sido transformado em a zona pedonal, entre a Praça João Baptista e a avenida D. Afonso Henriques”, acrescenta. Gonçalo Paulino garante, no entanto, que o comboio na ponte e o Metro de superfície não tiveram qualquer impacto significativo para a maioria dos comerciantes, além das vantagens que lhes trouxeram, enquanto cidadãos, de poderem usufruir de novos meios de transporte.

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