Da cidade síria de Alepo chegam, mais uma vez, imagens do drama humanitário em que mergulhou a região: vários autocarros que deveriam garantir o transporte de civis, muitos deles crianças e feridos, foram incendiados por “terroristas armados” enquanto tentavam sair da cidade. Entretanto a retirada de habitantes que deveria ter decorrido este domingo em Alepo, e em duas aldeias xiitas na Síria, foi adiada por falta de garantias de segurança, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos do Homem (OSDH).

A notícia mereceu o destaque da BBC, que cita alguns meios de comunicação sírios controlados pelo regime de Bashar al-Assad. De acordo com a estação britânica, ainda não foi possível perceber que foi o autor dos ataques, embora os órgãos de comunicação social estatais refiram o envolvimento de “terroristas armados” — designação usada para descrever todas as forças que lutam para derrubar o Presidente da Síria.

https://twitter.com/PoliticsManager/status/810534945940570112

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, apesar de todas as dificuldades, alguns autocarros conseguiram entrar nas aldeias xiitas de Fua e Kefraya, tal como esta previsto no plano inicial. A evacuação simultânea destas duas aldeias era, de resto, condição essencial para o Governo sírio autorizar a saída de pessoas do leste de Alepo.

No entanto, os 20 autocarros que deveriam garantir esse transporte e vários veículos do Crescente Vermelho foram atacados e incendiados. As imagens do momento entretanto divulgadas mostram homens armados a festejar, ao lado dos veículos carbonizados, gritando “Allah u Akbar” (Deus é grande) e dirigindo insultos contra os xiitas.

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Segundo a AFP, os homens armados terão forçado os condutores a deixarem os autocarros antes de os incendiarem. A BBC acrescenta ainda outro dado relevante: de acordo com várias fontes da oposição a Assad, os ataques terão sido conduzidos por elementos do grupo Jabhat Fatah al-Sham, ligado à Al-Qaeda.

No entanto, os meios de comunicação fiéis ao regime sírio alega que os autocarros foram destruídos de forma acidental por causa de confrontos entre grupos armados da oposição. O Exército Livre da Síria, um dos grupos oposicionistas considerados moderados pelos EUA e pela União Europeia, por sua vez, já veio condenar o ataque: foi um “ato irrefletido que põe em perigo as vidas de quase 50 mil pessoas” a leste de Alepo, afirmaram os responsáveis.

De Fua e Kefraya deveriam ser evacuadas cerca de 4 mil pessoas – em troca da saída faseada dos 40.000 civis e rebeldes que podem ainda estar sitiados no setor rebelde de Alepo.

https://twitter.com/SputnikInt/status/810499867516801024

Depois dos ataques, o OSDH decidiu adiar o resgate dos feridos “devido à falta de garantias de segurança em Foua e Kafraya”, afirmou o diretor da organização Rami Abdel Rahmane.

Yasser al-Youssef, do grupo rebelde sírio Nourredine al-Zinki, confirmou a suspensão à agência noticiosa France Presse: “As evacuações estão temporariamente interrompidas”. No entanto, sublinhou que os ataques “não vão ter impacto na retomada da operação noutra data”. Os autocarros tinham começado a entrar este domingo no reduto rebelde da cidade síria de Alepo com vista ao recomeço da retirada de civis suspensa desde sexta-feira.