Paulo Campos garante que, enquanto foi diretor do INEM, foi alvo de várias pressões mas que a sua “postura foi sempre de fazer o melhor do ponto de vista de gestão”. Em declarações à SIC, o ex-presidente do INEM admitiu ainda acreditar que está a ser alvo de um “saneamento político” e que a investigação de que está a ser alvo permitirá descobrir os verdadeiros motivos pelos quais foi afastado da direção do organismo de saúde.

Na sexta-feira, a residência de Paulo Campos foi alvo de buscas no âmbito de uma investigação relacionada com suspeitas de favorecimento na adjudicação do fornecimento de ambulâncias e serviços de formação aos funcionários do INEM. No mesmo dia, decorreram buscas e detenções relacionadas com o caso “Máfia do Sangue”, mas as duas investigações são autónomas e não estão relacionadas.

Apesar das notícias iniciais que avançavam que Campos teria sido constituído arguido, o antigo diretor do INEM garante que “esta investigação vem na sequencia de duvidas” que ele próprio denunciou. “Outras mandei fazer auditorias”, disse à SIC, repetindo as declarações prestadas na sexta-feira à Agência Lusa. “Colaborarei no que for preciso na investigação.”

Sem nunca adiantar nomes, Paulo Campos afirmou à SIC ter sido alvo de “pressões para colocar pessoas em determinados pontos, para decidir de uma forma ou outra, para auditar uma área ou não auditar uma área”.

Questionado sobre o porquê de ter recusado o pedido de reunião de José Sócrates quando este era consultor e membro do Conselho Consultivo da Octapharma para a América Latina, Campos disse que sempre fugiu “às pressões de grupos de interesse” e que, na altura, lhe “pareceu” que “poderia também ser também um foco de pressão”. “Achei que não era oportuno uma reunião sem saber também ao que ia em termos de assunto. Faz parte da minha postura”, salientou.

Sobre o seu afastamento do cargo de diretor do INEM na sequência de um processo disciplinar por ter autorizado o transporte de uma doente de helicóptero de Cascais para Abrantes, disse não ter dúvida de que tomou a atitude certa que “qualquer gestor e qualquer médico” tinha de tomar. “Tinha de o fazer sob pena de estar a incorrer num crime de negligência ou de homicídio eventual”, afirmou, avançando, no entanto, que lhe foi “proposto fazer um documento com um pedido de demissão em troca do arquivamento do processo”.