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Christine Lagarde

Christine Lagarde continua à frente do FMI apesar de condenação por negligência

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Christine Lagarde foi condenada por negligência esta semana mas o FMI já renovou os votos de confiança na diretora-geral, que se deverá manter à frente do organismo.

MICHAEL REYNOLDS/EPA

Christine Lagarde vai permanecer à frente do Fundo Monetário Internacional, apesar de ter sido condenada na segunda-feira por negligência no manuseamento de fundos públicos quando era Ministra das Finanças de Nicolas Sarkozy, de 2007 a 2011.

A direção do FMI, “reafirma a sua confiança total nas competências da diretora-geral para continuar a executar com eficácia o trabalho que lhe é exigido”, sublinhando também o que considera ser “a excelente liderança” de Lagarde à frente do organismo, lê-se num comunicado publicado pela agência de notícias Associated Press.

Quando foi reconduzida ao cargo que ocupa já se sabia que Christine Lagarde estava a ser investigada pelo papel que teve no caso do milionário Bernard Tapie. O caso remonta a 1993, quando o empresário vendeu a sua participação maioritária na Adidas ao Crédit Lyonnais, na altura parcialmente detido pelo Estado francês. Tapie acusou o Estado francês de “desvalorizar” as ações que ele detinha na Adidas e pediu uma indemnização.

Christine Lagarde entregou o caso a um painel de arbitragem, que obrigou o estado francês a pagar 400 milhões de euros a Bernard Tapie como compensação. Lagarde pagou, dos cofres públicos, e não pediu recurso da decisão do painel. O milionário foi um dos principais financiadores da campanha de Sarkozy e a ligação deste caso às orlas políticas das quais Lagarde fez parte nunca se dissipou completamente. Apesar de ter sido considerada culpada, o tribunal não lhe imputou qualquer sentença. Lagarde não ficará com qualquer registo criminal.

A dimensão do valor causou indignação e os tribunais civis declararam entretanto que o processo de arbitragem foi um negócio fraudulento, tendo dado ordens a Tapie para devolver o dinheiro.

Neste caso, também são arguidos, entre outros, o seu chefe de gabinete em 2007 e atual presidente da operadora de telecomunicações Orange, Stéphane Richard, e o próprio Bernard Tapie, por “desvio de fundos públicos” e cumplicidade.

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