Os cães são propriedade à vista da lei e não podem ser vistos como se fossem crianças. Este foi o argumento defendido por um juiz canadiano à luz da disputa de um casal divorciado pela custódia de dois cães. O The Guardian conta que o primeiro recurso ao tribunal foi feito pelo ex-marido, com o objetivo de ficar com um dos cães. No entanto, foram os advogados da mulher que pediram ao tribunal para encarar este caso como um processo de custódia de crianças.

A disputa pela guarda dos cães do casal foi mal vista pelo juiz Richard Danyliuk, que rejeitou todas e quaisquer semelhanças entre crianças e cães. “Muitos cães são tratados como se fossem membros da família, mas um cão é um cão. Na lei, um cão domesticado é propriedade. Na lei, não tem direitos familiares”, afirma.

O raciocínio do juiz é sustentado com base nas diferenças com que os cães e as crianças são vistos e tratados pela sociedade. “Os filhos não são comprados a criadores, mas sim produzidos por nós. Mesmo que os nossos filhos se comportem de forma inadequada e cometam transgressões graves, não são submetidos a punições, como a pena de morte”, acrescenta ainda Richard Danyliuk.

Desde a separação do casal, em abril, que os cães — Kenya e Willow — estão à guarda dos pais da mulher, segundo a Canadian Broadcast Corporation. Num sistema judicial com atrasos e em que muitas pessoas esperam meses até saber a decisão final do juiz, Richard Danyliuk alerta ainda o ex-casal para a possibilidade do tribunal não chegar a nenhum consenso e os cães terem de ser vendidos.

O juiz negou dar continuidade ao processo e pediu a ambas as partes para resolverem a questão entre si, alegando que o tribunal tem questões mais importantes com que se preocupar.