A coordenadora do Bloco de Esquerda é contra o pagamento de compensações elevadas aos lesados do Banco Espírito Santo (BES) que envolvam dinheiro dos contribuintes.

Em entrevista à RTP 3, Catarina Martins começou por ressalvar que não conhece a solução que foi anunciada esta semana pelo primeiro-ministro, António Costa, para resolver o problema dos lesados do BES, clientes do antigo banco que investiram em dívida das empresas do Grupo Espírito Santo que entraram em insolvência. Mas sublinhou que “uma solução de valores altos pagos por contribuintes não é naturalmente aceitável.”

Ao contrário dos depósitos bancários, que estão protegidos até cem mil euros, estes produtos de investimento não têm qualquer proteção legal. A solução encontrada com o envolvimento do Governo permite antecipar o reembolso de uma parte do investimento, antes de os lesados conseguirem recuperar alguma coisa em tribunal.

Mas o Governo não revelou como será financiado esse reembolso de 30% do valor investido e que representa cerca de 286 milhões de euros. Mas a informação dada aos lesados refere a existência de uma garantia do Estado ao empréstimo que será contraído para antecipar esse pagamento.

A coordenadora do Bloco reconhece que há vários tipos de lesados, e entre estes os que foram enganados, convencidos a comprar produtos de risco sem saberem as possibilidades de perda. No entanto, avisa que uma intervenção dos contribuintes para resolver o problema dá o sinal aos bancos de que podem continuar “brincar com a vida das pessoas” e a vender produtos de risco aos seus balcões porque o Governo depois resolve o problema. Para Catarina Martins esse princípio é inaceitável, avisando que no futuro haverá novos lesados.

A coordenadora do BE insiste por isso na alteração da lei de forma a impedir os bancos de venderem produtos de risco a clientes de retalho não qualificados, uma proposta que foi feita pelo partido a seguir à queda do Banco Espírito Santo, mas que foi chumbada.