Kellyanne Conway, diretora da campanha de Donald Trump, foi nomeada para o cargo de conselheira do Presidente. Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a equipa de transição de Trump explicou que Conway, “uma consultora de confiança e estratega que desempenhou um papel crucial na vitória” do republicano, irá ajudar a executar as prioridades legislativas da administração norte-americana.

Conway entrou para a equipa de Donald Trump em julho, substituindo o antigo diretor da campanha Paul Manafort. Presença assídua na televisão e nas redes sociais, Kellyanne Conway a ajudou a moldar e a difundir a mensagem da campanha de Trump. No mesmo comunicado, a republicana disse sentir-se “honrada” em ajudar “a transformar o movimento que levou” a uma série de “ações e resultados”.

Kellyanne Conway torna-se assim na mulher com o cargo mais elevado na equipa de Donald Trump.

China, uma “incubadora de doenças”

O anúncio surge um dia depois de Donald Trump ter nomeado o economista Peter Navarro para liderar o recém criado Conselho Nacional de Comércio, cujo principal objetivo é por um ponto final no “êxodo de empregos da nossa costa”, para países como a China e o México, e tornar o comércio “grande outra vez”.

Num comunicado divulgado na quarta-feira, é explicado que o novo Conselho Nacional de Comércio irá trabalhar “colaborativamente e sinergeticamente” com outros organismos governamentais para levar a cabo “a visão do Presidente de paz e prosperidade através da força militar e económica”. Uma visão que “põe a indústria e os trabalhadores americanos em primeiro lugar” e que o ex- conselheiro para a área da economia da equipa de Trump irá ajudar a concretizar.

No mesmo comunicado, o Presidente eleito contou que leu “um dos livros do Peter sobre os problemas comerciais da América há muitos anos” e que ficou “impressionado pela clareza dos seus argumentos e pelo rigor da sua pesquisa”. “Ele documentou precisamente os danos infligidos pela globalização nos trabalhadores americanos e mostrou um caminho que permitirá restaurar a nossa classe média. Ele irá preencher um papel essencial na minha administração como conselheiro para o comércio.”

De acordo com a equipa do Presidente eleito como uma personagem fundamental no questionamento da “ortodoxia prevalente de Washington no assim chamado comércio livre”.

Doutorado em Economia pela Universidade de Harvard e professor universitário na Califórnia, Peter Navarro, de 67 anos, é conhecido pelas opiniões polémicas sobre a economia chinesa e por acreditar que, tal como Trump, a China não é um concorrente leal, defendendo uma política de boicote a Pequim, uma “fábrica de poluição global” e uma “incubadora de doenças”.

No livro In The Coming China War, uma das muitas obras que Navarro dedicou ao país do Oriente, o economista descreveu a China como um local onde “o cheiro cru do medo manchado de suor” paira no ar e que é governado pelos oficiais incompetentes do Partido Comunista Chinês. De acordo com Peter Navarro, a “China batoteira” foi é a grande responsável pela destruição das fábricas norte-americanas, sobrevivendo da exportação de objetos “contaminados, defeituosos e cancerígenos”. Uma ideia que voltou a explorar no documentário de 2012, Death by China.

Nesta produção da Netflix, Navarro foi ainda mais longe, culpando Pequim pelo fim de 57 mil fábricas norte-americanas e pelo desaparecimento de 25 milhões postos de emprego. “Ajudem a defender a América e a protegerem as vossas famílias: não comprem o que é fabricado na China”, diz na introdução de 80 minutos.

A nomeação de Peter Navarro surge num momento em que a relação entre a China e os Estados Unidos da América já se encontra, por si só, tremida, e parece deitar por terra as esperanças de que os dois países se venham a aproximar futuramente.