O ministro da Saúde anunciou esta sexta-feira a intenção de dotar o INEM dos recursos que este instituto precisa, estando autorizada a contratação de mais 100 profissionais a partir do próximo ano.

Adalberto Campos Fernandes falava aos jornalistas no final de uma visita que realizou à Unidade de Neonatologia na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa.

Questionado sobre o anúncio da greve às horas extraordinárias pelos técnicos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), o ministro disse acreditar que a mesma “não se vai concretizar”, tendo em conta que o presidente deste organismo “tem estado reunido com os trabalhadores”.

Sobre o atraso no pagamento das horas extraordinárias, afirmou que “o INEM está a pagar horas extraordinárias devidas desde 2013. Há uma questão de natureza remuneratória e fiscal”.

Para o ministro, “o INEM também foi muito reduzido em termos da sua capacidade operacional”.

“Vamos reforçar [a capacidade operacional do instituto] a partir do próximo ano, com a abertura de um concurso para mais 100 novos profissionais”, anunciou.

O reforço deste organismo não deverá ficar por aqui, uma vez que o ministro disse que, em 2017, o mesmo será dotado com “os recursos de que precisa”.

“Não há uma questão financeira”, esclareceu, adiantando que “o INEM tem recursos próprios, tem recursos financeiros”.

Na visita que efetuou à Unidade de Neonatalogia do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), situado na MAC, Adalberto Campos Fernandes aproveitou para dirigir-se aos profissionais que estão a trabalhar nesta época natalícia.

“O Serviço Nacional de Saúde (SNS) não é só uma organização eficiente, é também uma reserva de ética profissional e de atitude que muito enobrece o país”, adiantou

Para o ministro, “a MAC é um bom exemplo. É um ativo da memória coletiva. É uma marca forte associada ao prestígio e um local para onde são referenciados os casos mais difíceis”.

Sobre a dificuldade da instituição em contratar ou manter profissionais altamente especializados como os que lá trabalham, tendo em conta o assédio dos privados, Adalberto Campos Fernandes afirmou que esta “é uma luta que a pouco e pouco irá ser ganha”.

“Está a ser feita uma estabilização da relação entre os setores. O setor privado não crescerá infinitamente, tem o seu espaço (…), mas felizmente estamos a entrar num quadro de equilíbrio”.

A preocupação do Ministério da Saúde é “fazer com que mais jovens médicos, quando terminam a sua formação, pensem duas vezes sobre o percurso que querem fazer e que pensem que no SNS podem fazer um percurso compensador, com carreira, com estabilidade, com diferenciação”.