Com 90 anos de idade, a Rainha de Inglaterra, Isabel II, cancelou, pela primeira vez em 30 anos, a ida à Missa de Natal, devido a uma “forte constipação”. Foi pretexto para a unidade britânica do jornal online Business Insider recuperar um artigo onde explica, afinal, o que irá acontecer quando a Rainha morrer. Tudo depende de se a morte será súbita ou ao cabo de vários dias. Mas uma coisa é certa: há uma gravata negra nos estúdios da BBC à espera desse dia.

Subiu ao trono em 1952 e, desde aí, já viu doze primeiro-ministros servirem Inglaterra e outros doze presidentes dos Estados Unidos da América instalarem-se na Casa Branca. A maioria das pessoas não sabe o que é viver com outro chefe de Estado no Reino Unido. Mas, certamente, a Rainha não viverá para sempre. E, depois da sua morte, que planos existem para o anúncio?

Citando pessoas que já trabalharam no Palácio de Buckingham, o jornal afirma que o Reino Unido vai parar, pelo menos, por doze dias, desde o anúncio da sua morte até ao funeral, e a tudo o que vem a seguir a isso. Será um evento como nunca antes visto.

  • O país e a economia vão parar e, com isso, vão-se perder milhões de libras em investimentos.
  • Os mercados bolsistas e os próprios bancos vão fechar, por tempo indefinido.
  • O dia do funeral e da coroação vão ser feriados nacionais.
    • Cada feriado custará, para o produto interno bruto (PIB) nacional, cerca de 1,2 a 6 mil milhões de dólares perdidos.
  • A BBC vai cancelar todos os seus programas de comédia.
  • As palavras do hino serão mudadas.

Estas são algumas das alterações que, em primeira instância, o jornal indica que irão prontamente acontecer, após a morte da Rainha. A morte da Rainha Isabel, sua mãe, ou até a morte da princesa Diana tiveram um grande impacto no país. Porém, a longevidade da Rainha Isabel II fará com que tudo vá ser, diz o jornal, completamente diferente.

As primeiras horas – o anúncio

Vai tudo depender da forma como a Rainha morrer: de forma súbita ou com doença prolongada.

Se, por exemplo, a Rainha estiver doente há já muito tempo, já existem planos detalhados para anunciar a sua morte. Se, por outro lado, a Rainha morrer de forma inesperada (como foi com a Princesa Diana) ou até mesmo em público, as notícias vão ser muito menos controladas e ponderadas.

Ainda assim, seja de que forma for, haverá procedimentos semelhantes em ambos os cenários. O pessoal que trabalha no palácio ou as instituições que lhe estão associados vão ser, imediatamente, mandados para casa. A Corte Real tem pessoal especializado para comunicação de eventos específicos que, por um lado, distribui as notícias e, por outro, dá instruções aos funcionários em situações destas.

Caso a sua morte ocorra de uma forma esperada, as notícias serão divulgadas, em primeiro lugar, através dos canais de televisão principais. Por sua vez, todos os canais da BBC irão parar a sua emissão e será a BBC1 a passar o anúncio. Ainda que nenhum outro canal independente seja obrigado a parar a sua emissão, o jornal Business Insider afirma que, quase de certeza, o fará.

A Business Insider recorda o anúncio da morte da Rainha Isabel, mãe da atual Rainha de Inglaterra, que foi feito, em 2002. Houve uma interrupção repentina do programa que estava a ser transmitido para que a BBC fizesse “um anúncio importante”. Veja o vídeo abaixo.

O pivot Peter Sissons foi criticado por, na altura, estar a usar uma gravata vermelha aquando do anúncio da morte da Rainha Isabel. Desde aí, a BBC tem sempre à mão fatos e gravatas pretas, de forma a evitar que, em situações destas, sejam apanhados de surpresa. De forma ativa, os próprios pivot também ensaiam caso tenham que interromper a sua emissão para eventos deste tipo.

Comédia? Nem pensar. E as empresas? Fecham portas

Num momento que será, certamente, de lágrimas, o riso está proibido. Segundo conta o The Daily Mail, a BBC planeia cancelar todos os seus programas de comédia até o final do funeral da Rainha. Também a CNN já tem gravadas peças com a vida da Rainha, prontas a serem exibidas quando chegar o momento, tal como vários outros grandes canais.

Se o anúncio for feito durante o horário de trabalho, prevê-se que a Bolsa de Valores de Londres irá encerrar as suas portas, bem como outras empresas. Quanto aos protocolos a seguir, pelos órgãos do governo, esses virão ou do Departamento de Cultura, Media e Desporto ou do próprio Palácio.

Segundo a fonte do Palácio que ajudou a Business Insider a escrever este artigo, a resposta do governo e as declarações oficiais de condolências são difíceis de prever. A última morte de um monarca foi em 1952 – o Rei George VI – e o que na altura poderia parecer adequado, hoje poderá precisar de ajustes.

Independentemente de como ou quando acontecer, a verdade é que o Reino Unido entrará em choque e deixará de funcionar normalmente até, pelo menos, ao funeral.

O Império Britânico volta… por momentos

Dada a importância internacional da Rainha, a Business Insider afirma que todo o mundo irá dar grande importância ao acontecimento.

O Império Britânico, em tempos remotos, cobriu mais de um quarto do território terrestre e, afirma o jornal, durante uns tempos vai parecer que o império voltou, com todos os meios de comunicação a falarem sobre Isabel II. Segundo um ex-embaixador citado pelo jornal, os procedimentos noticiosos serão, mais ou menos, como os de Inglaterra… se a Rainha morrer de forma esperada, já estará tudo pensado, se não, os media internacionais irão olhar para as notícias inglesas e tentar guiar-se por elas.

Ainda que existam vários procedimentos que, certamente, irão acontecer, existem outros tantos que, segundo o ex-embaixador, ainda pairam na incerteza. Afinal de conta, há mais de 60 anos que não morre um monarca.

No palácio, a maioria dos funcionários já terá sido mandado para casa e as atrações turísticas também já terão sido todas fechadas. É aí que começam as burocracias. Será no Palácio de St. James, o Palácio Real, que o Conselho de Adesão se reunirá para declarar formalmente o próximo sucessor que, à partida, será o até então Príncipe Charles. No conselho estarão presentes Conselheiros privados, o Lorde da City de Londres, Senhores nobres, e alguns Altos Comissários de certos países da Commonwealth, entre outros.

E, depois da morte, uma viagem pelo mundo? Claro que não

Enquanto todas as questões burocráticas estarão a ser discutidas, a Rainha descansará no seu caixão que será exibido publicamente para que as pessoas lhe possam prestar homenagem. O corpo da rainha ficará no palácio de Westminster, onde será feita uma pequena cerimónia que marca a chegada do caixão. Só depois desta cerimónia é que o público poderá prestar homenagem num salão que estará aberto a todos durante uma hora por dia.

Aqui, mostramos-lhe o exemplo da Rainha Isabel, mãe de Isabel II, quando o seu caixão ficou no Palácio Westminster, por três dias. Muitas pessoas marcaram presença nesta cerimónia, porém, estima-se que a sua filha bata esse recorde.

Lembra-se de quando a princesa Diana morreu, e um sem número de flores foram deixadas à porta do Palácio, no dia do seu funeral? Talvez a Rainha supere, também, esses números, estima o Business Insider. Ora espreite aqui, caso não se recorde:

Flowers_for_Princess_Diana's_Funeral

Um funeral cheio de audiência

O corpo da Rainha ficará no Palácio até ao dia do seu funeral (que será feriado nacional) e, nestas alturas, todos querem marcar presença. Provavelmente até, como conta o Business Insider, será o funeral mais assistido de todos os tempos, onde os principais líderes mundiais se reunirão para marcar presença.

De acordo com a BBC, no funeral da Princesa Diana, mais de um milhão de pessoas fizeram a mesma rota do cortejo fúnebre. Mais de 30 milhões de britânicos sincronizaram os seus canais para acompanharem o feito. Em todo o mundo, 2,5 mil milhões de pessoas também assistiram ao cortejo.

Já se sabe, até, quem liderará a ocasião: será o Arcebispo Justin Welby, a figura mais importante da igreja britânica (claro, a seguir à Rainha.)

E qual o destino do seu ‘descanso final’?

Depois do cortejo fúnebre, chega a viagem final: o enterro.

Existem duas hipóteses de locais e, possivelmente, a Rainha até já escolheu qual deles será a sua casa eterna: Sandringham ou Balmoral? Estes são os locais mais prováveis, porém, existe ainda a hipótese da Rainha ser enterrada junto do seu pai, o Rei George VI, na capela St. George, em Windsor.

Depois do período de luto (que o jornal estima que será algo como um ano), haverá uma coroação, um ato “altamente cerimonial” onde será oficializado o novo monarca. Este ato da coroação não faz com que, neste caso, o príncipe Charles, seja oficialmente Rei, pois já o era, mas é um ato que, depois do tempo de luto, é mais festivo. Caso queira, o então Rei pode até recusar fazer esta cerimónia.

Porém, acredita-se que o Príncipe não quererá quebrar com a tradição. Caso não se recorde, mostramos-lhe a coroação da Rainha Isabel II, em 1953.

Até os capacetes da polícia vão mudar. E os passaportes. E os selos

Outra mudança, esta mais terrena, que será claramente necessária: a alteração das insígnias dos capacetes dos policiais, que atualmente exibem as iniciais da Rainha. Desta forma, uma grande quantidade de capacetes militares necessitará de uma obrigatória atualização.

Também os passaportes vão precisar de alterações, que fazem menção ao nome de sua Majestade, a Rainha. Também os selos precisam de tirar a cara da Rainha e colocar a do novo Rei.

As consequências da morte da Rainha podem ir um bocadinho mais longe, podendo levar ao fim da Commonwealth (organização com 53 países, que vem desde o império britânico e serve, atualmente, como acordo comercial e político). Ainda que tenha pouco poder, a nível formal, carrega um grande simbolismo.

Com a morte da Rainha, a Business Insider diz que os países que antes faziam parte do Império e que continuam ligados devido a esta organização podem escolher acabar, de vez, com esta união.