John Kerry explicou esta quarta-feira que a abstenção dos EUA numa condenação da ONU aos colonatos israelitas na Cisjordânia foi feita a pensar na coexistência pacífica de dois Estados: Israel e Palestina. A abstenção na votação do Conselho de Segurança — ao invés do veto, que impediria a condenação — foi decidida a pensar na “preservação da solução de dois Estados”, que está em “sério risco”.

Kerry disse, naquela que foi uma das suas últimas intervenções como secretário de Estado norte-americano, que os EUA não poderiam “permitir que a solução de dois Estados fosse destruída” perante os seus olhos.

A justificação pela posição adotada na votação do Conselho de Segurança, na última sexta-feira, foi acompanhada de uma mensagem de encorajamento aos líderes israelita e palestiniano. “Ambos os lados devem agir agora para preservar a possibilidade de paz” na região. “Ainda existe caminho, caso as partes responsáveis estejam disponíveis para agir”, defendeu o secretário de Estado.

Para isso, é preciso enfrentar as “verdades desconfortáveis” e fazer “escolhas difíceis”. Para os EUA, a mensagem, agora, é a de que ficar parado e assistir ao “início de uma dinâmica perigosa” não era opção para o país, disse o responsável norte-americano.

Kerry sabia que o seu discurso não agradaria a Israel. E aproveitou a intervenção para lembrar os responsáveis israelitas de que os EUA estiveram sempre do lado de Tel Aviv. “Nenhuma administração norte-americana fez mais pela segurança de Israel que a de Barack Obama”, sublinhou.

Na reação ao discurso de Kerry, o primeiro-ministro israelita acusou o responsável norte-americano de proferir um discurso “parcial” contra Israel. “Tal como a resolução do Conselho de Segurança que o secretário [de Estado] Kerry fez avançar nas Nações Unidas, o seu discurso esta noite era enviesado contra Israel”, disse Benjamin Netanyahu.

O responsável israelita acusou ainda Kerry de “lidar obsessivamente com os colonatos” – ele que, segundo relataram fontes governamentais americanas ao New York Times, pretendia há já dois anos adotar uma posição pública de forte condenação de Israel, tendo sido sempre impedido pela Casa Branca.

Por contraste, Yaakov Peri, um rosto da oposição israelita, membro do partido centrista Yesh Atid, considerou que s palavras de Kerry representavam um “discurso equilibrado, baseado na realidade e em factos”.