Segundo anunciou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o acordo de cessar-fogo na Síria, assinado com a Turquia, quinta-feira à noite, viria não só pôr termo à luta armada como abrir caminho para as negociações de paz. Mas menos de 12 horas depois voltaram a ouvir-se tiros — e bombas — na Síria, segundo informações difundidas pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

Mesmo assim, o diretor do Observatório, Rami Abdelrahman, disse à agência de notícias espanhola EFE que a calma prevalece em 90% do território.

O Observatório registou violações do cessar-fogo por parte dos rebeldes na província de Deraa (região sul da Síria). Em relação às forças leais ao regime sírio, a organização indicou que foram verificadas violações da trégua nas províncias de Damasco, Hama e Idleb.

Na localidade de maioria cristã de Jabab, a norte de Deraa e sob o controlo das autoridades sírias, várias pessoas ficaram feridas na sequência de tiros de morteiro disparados por grupos rebeldes. Há uma pessoa em estado grave.

A mesma organização disse que, durante a noite de quinta-feira, aviões do exército sírio conduziram mais de 20 bombardeamentos contra posições rebeldes em várias cidades na fronteira entre as províncias de Idlib e Hama. Segundo disse o Observatório, também se registaram combates no vale de Wadi Barada, ao norte da capital Damascos, uma área ainda controlada por rebeldes mas que fornece cerca de três quartos de toda a água consumida na cidade. Uma fonte da milícia libanesa Hezbollah, aliada do governo de al-Assad, disse, contudo, que as forças do exército sírio não tinham conduzido qualquer ataque na área.

Em declarações à imprensa depois de assinado o acordo, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan disse: “se temos uma oportunidade para parar a guerra sangrenta na Síria, através de uma solução política, não devemos colocar isso em em causa, porque é uma oportunidade histórica”.

Mas o cessar-fogo acordado, que não incluiu a totalidade dos grupos rebeldes, resultaria sempre numa paz instável já que o exército continuaria sempre a atacar as filiais rebeldes mais extremistas em províncias como Idlib.

Um exemplo dessa fragilidade é o facto de um dos grupos rebeldes mais fortes, o Ahrar al-Sham, não ter assinado o acordo, apesar de Rússia ter tido que sim, escreve Kareem Shaheen, para o diário britânico The Guardian, a partir de Istambul. “Temos várias reservas em relação aos termos do acordo e por isso não o assinamos”, disse Ahmad Qaran Ali, porta-voz do grupo.

Moscovo está a tentar marcar para o fim de janeiro o início das conservações de paz na capital do Cazaquistão, Astana. Mas em primeiro lugar é preciso que os ataques cessem de ambos os lados, o que não parece ser ainda uma certeza.

Não há conhecimento de vítimas mortais resultantes destes últimos combates mas a guerra na Síria, que dura há quase seis anos, já fez mais quase meio milhão de mortes.