O ex-secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, e a presidente da região da Andaluzia, a socialista Susana Díaz, podem estar prestes a anunciar as suas candidaturas à liderança do partido, que é gerido por uma direção interina desde o culminar da crise interna de de 2016.

A 1 de outubro, depois de ter levado o partido socialista espanhol aos piores resultados de sempre em eleições legislativas (90 deputados em dezembro de 2015 e 85 em junho de 2016), Pedro Sánchez demitiu-se sob forte pressão de vários líderes regionais dos socialistas espanhóis. Entre eles, e em claro destaque, estava Susana Díaz, que é presidente da região da Andaluzia, a mais populosa de Espanha, desde 2013.

De acordo com a imprensa espanhola, agora trata-se apenas de uma questão de tempo até os dois políticos avançarem. Segundo o ABC, Susana Díaz prevê apresentar a sua candidatura à liderança do PSOE até ao final do mês de janeiro. Já o El Español escreve que a decisão de Pedro Sánchez se candidatar ao cargo que abandonou em outubro “já não tem marcha atrás” e que está apenas à espera de que “haja regras do jogo e prazos concretos” por parte da direção interina do partido para avançar.

Mais do que uma novidade, a perspetiva de um confronto entre Susana Díaz e Pedro Sánchez deverá ser a continuação de uma dinâmica de confronto que tem marcado o PSOE nos últimos tempos, com figuras de destaque do partido a apoiarem a presidente andaluza (os dois últimos presidentes de Governo socialistas, Felipe González e José Luiz Zapatero, já falaram a seu favor) e com as bases socialistas a apoiarem o deputado madrileno.

A próxima liderança do PSOE será determinada num congresso que, de acordo com aquilo que já foi dito pelo secretário-geral interino, Javier Fernández, deverá ser “antes do verão”. A data definitiva deverá apontar já para 14 de janeiro, que é para quando está marcada a reunião do Comité Federal para decidir como será o calendário do partido.

Eleitores do PP preferem Díaz, mas toda a esquerda quer Sánchez

Perante este cenário de um congresso iminente, as sondagens são ambíguas. Segundo um inquérito do El Mundo com a Sigma Dos, Susana Díaz é a melhor pessoa para a liderança dos PSOE, de acordo com aqueles que em junho votaram no Partido Popular e no Ciudadanos (70% e 48,9%, respetivamente), mas 53,8% dos que votaram no PSOE querem que Pedro Sánchez volte a liderar o partido. Também no Podemos, com o qual o PSOE teve algumas reuniões na primeira metade de 2016 para tentar chegar a um entendimento pós-eleitoral, Pedro Sánchez é o favorito para liderar os socialistas espanhóis, com 70% a apoiarem-no.

A sondagem coloca o PSOE perante um paradoxo que, no pior dos cenários para os socialistas espanhóis, pode intensificar a sua atual crise. Por um lado, ao tentar ganhar mais votos à esquerda, Pedro Sánchez revela claras dificuldades em conseguir apelar ao eleitorado do centro e da direita, como ficou demonstrado em dezembro de 2015 e em junho de 2016. Por outro lado, Susana Díaz teria problemas em conquistar os votos dos eleitores que tradicionalmente votam à esquerda do PSOE, mesmo que conseguisse alguns votos à sua direita — mas estes dificilmente seriam suficientes para vencer umas eleições.

O mau momento que o PSOE atravessa ficou espelhado no barómetro El País / Metroscopía de dezembro de 2016, que colocava o Partido Popular a subir em relação às eleições de junho do mesmo ano, chegando aos 34,2% de intenções de voto. Em segundo lugar, aparece o Unidos Podemos (a junção do Podemos com a Izquierda Unida, que concorreram pontualmente juntos nas últimas eleições) com um total de 22,9%. Só depois é que surge o PSOE, com 17,9% e um terceiro lugar — depois de ter tido 22,6% e terminado em segundo lugar em junho.

Apesar da indefinição geral deixada pela sondagem do El Mundo, sobra uma certeza: uma maioria de 58,3% dos inquiridos quer que o PSOE convoque o seu congresso “o mais cedo possível”, enquanto apenas 23% dizem que é melhor esperar “seis ou sete meses”.