O CDS vai voltar a propor no Parlamento que seja eliminado o adicional do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), já que “o preço do petróleo está a subir e não há necessidade de fazer essa correção”. O alerta sobre o aumento dos combustíveis este ano foi feito pela líder do partido Assunção Cristas, que convocou os jornalistas para o momento em que abasteceu o carro (com 20 euros) numa bomba de Alvalade, sendo confrontada com um negócio que também é o do seu pai.

O meu pai tem uma bomba de gasolina, por acaso não é aqui mas tem há muitos anos e foi durante muitos anos representante do setor através da ANAREC“, a Associação Nacional de Revendedores de combustíveis”. Cristas respondia desta forma à pergunta de uma jornalista, depois de na primeira abordagem ter contornado a questão. Quando questionada sobre se era sensível ao tema por ter um familiar com uma bomba de gasolina, a líder do CDS respondeu apenas que “não” e que era sensível “porque qualquer português tem de pôr gasóleo todos os dias ou com muita frequência para poder andar. É um exercício que todos fazem e os que não fazem pagam-no por via dos aumentos dos transportes públicos“. O pai de Cristas tem uma bomba em Belém, segundo confirmou o Observador junto do CDS, e foi presidente da mesa da Assembleia Geral da ANAREC.

Assunção Cristas diz que ao manter-se o adicional do ISP, “não está a ser cumprido o princípio da neutralidade fiscal”. “Quando o Governo aumentou o adicional disse que era para compensar a baixa do petróleo”, argumentou a líder centrista dizendo que entretanto os portugueses ficaram a saber “que a vantagem da baixa do petróleo não ia para o bolso dos consumidores mas para o cofre das finanças. Essa foi a primeira deceção, a segunda foi saber-se que a neutralidade fiscal prometida pelo governo rigorosamente não aconteceu”.

“À medida que o preço do petróleo sobe deveria haver uma diminuição progressiva dos impostos”, defendeu Cristas anunciado que “brevemente” o CDS vai insistir na Assembleia da República com uma proposta que já fez no passado, para que seja eliminada o adicional ao ISP que o Governo manteve no Orçamento do Estado para este ano. O diploma consagra que o adicional às taxas do imposto se mantenha em vigor: 0,007/l para a gasolina e 0,0035/l para o gasóleo rodoviário e o gasóleo colorido marcado. Ou seja, para o consumidor mantêm-se os 7 cêntimos a mais por cada dez litros de gasolina.

Contas que Assunção Cristas também fez, nas declaração desta quarta-feira: “Estes 20 euros que eu hoje pus, na verdade não deram para 15 litros e há um ano teriam dado para 19 litros (…) abastecer um depósito de 50 litros custa mais 1 euro, em gasóleo, e 7,2 euros em gasolina”. “É muito dinheiro”, concluiu Cristas que considera que “começou o ano, mas não acabou a austeridade” e que “as pessoas sentem diariamente, semanalmente e mensalmente o peso dos impostos indiretos, nomeadamente com este adicional sobre os combustíveis”.