Em Espanha, dura tão-só quatro anos, de 1982 a 1986. Em França, é criada em 1994 e Pauleta ainda é o melhor marcador (15 golos). Na Alemanha, nasce em 1997 e desaparece dez anos depois. Em Inglaterra, está no auge há 54 anos. Em Itália nem sai do papel. E isto é…? O perfil da Taça da Liga nos cinco países europeus que melhor vendem o futebol. Quer isto dizer, só Inglaterra e França continuam com a Taça da Liga – em ambos os países é sistema de mata-mata (Taça, portanto) e o vencedor apura-se para as competições europeias.

Agora Portugal. A prova começa a ser falada com mais insistência em 2006, por proposta de Sporting e Boavista, e é aprovada por unanimidade pelos clubes da 1.ª e 2.ª divisões nesse mesmo ano, a 28 de Novembro, numa reunião no Porto. Em 2007-08 dá-se o arranque. Sem direito a lugar na UEFA. Adiante. A ideia-chave é criar um maior número de jogos oficiais e encaixar o maior lucro possível com receitas de publicidade e bilheteira (a palavra-chave aqui é “maior”).

A edição de estreia é ganha pelo Vitória FC de Carlos Carvalhal, numa final resolvida nos penáltis com o Sporting. No ano seguinte, o mesmo Sporting volta a perder a decisão no desempate de 11 metros, agora com o Benfica de Quique Flores. Atenção, o Benfica começa aqui o seu percurso avassalador e levanta seis das sete taças – o intruso é o Braga de Peseiro (1-0 ao Porto em 2013).

Nada de Sporting nem de Porto, então. Pois é, os dois grandes partilham a mesma dor. A mesma ineficácia. O mesmo karma (duas finais perdidas). Se o Sporting ainda anda aos esses, o Porto nem isso e está automaticamente afastado das meias-finais pelo segundo ano seguido. Mais, a última vitória portista data de 28 Janeiro 2015 (Académica, 4-1 no Dragão). Há quase dois anos. E isso traduz-se em quantos jogos? Sete. O calvário começa nos Barreiros, com o Marítimo (2-1), nas meias-finais, prossegue nas três derrotas na fase de grupos da época anterior (Maritimo, Feirense mais Famalicão) e desagua nos escassos dois pontos em 2016-17, vs Belenenses (0-0) e Feirense (1-1), ambos no Dragão. O um-zero em Moreira de Cónegos é salpicado com o inevitável discurso de escárnio e mal-dizer sobre o árbitro (Luís Godinho), autor de uma exibição colorida com dois vermelhos a Danilo e Brahimi nos últimos 10 minutos, pela sexta vez na história, a primeira desde Janeiro 2015, em Braga.

A derrota aliada à saída inesperada da Taça da Liga motiva um coro de frases feitas contra tudo e contra todos. Bem-vindo à ressaca da terceira derrota da época de Nuno Espírito Santo (Sporting 2-1 em Alvalade, Leicester 1-0 em Inglaterra, Moreirense 1-0), tantas quantas as de Rui Vitória e menos cinco que Jorge Jesus. E agora? Nada, é só esperar pelas 20h30 de sábado para ver a reacção do Porto, na visita ao Paços, para a 15.ª jornada do campeonato.