A fotografia do menino birmanês encontrado morto na margem de um rio está a chocar o mundo. Mohammed Shohayet, de apenas 16 meses, perdeu a vida quando tentava escapar para o Bangladesh, juntamente com os seus pais e irmão mais velho, da crise de refugiados da minoria étnica muçulmana rohingya. O único sobrevivente da fuga foi o pai, Zafor Alam, e foi ele quem pediu à CNN para que a imagem do corpo do seu filho fosse divulgada, com o objetivo de chamar a atenção para este conflito.

Quando vejo esta imagem, sinto que vou morrer. Já não faz sentido viver num mundo como este”,- admite Zafor Alam em declarações àquela estação televisiva.

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“Na nossa aldeia [Rakhine], foram disparadas armas contra nós através de helicópteros e os soldados birmaneses também abriram fogo”, revela Alam. “Nós não podíamos ficar em casa, tínhamos de nos esconder”, acrescentando ainda que a única coisa que queria era colocar a sua família em segurança. Foi nesta altura que se separou da sua família e atravessou a nado o rio Naf, que faz fronteira com a Birmânia e o Bangladesh, em busca de uma solução, acabando por arranjar um barco. No entanto, a embarcação em que seguiam não aguentou com o peso das pessoas que estavam a bordo e foi aí que a criança, a mãe e o seu irmão mais velho perderam a vida.

A história da tentativa de fuga desta família de refugiados é semelhante a muitas outras histórias da minoria étnica rohingya, cujo objetivo era também atravessar a fronteira até ao Bangladesh. “Só o rio sabe a quantidade de corpos de rohingyas que estão aqui a flutuar”, refere ainda Alam à CNN.

A fotografia do corpo de Mohammed Shohayet tem sido assemelhada à de Aylan Kurdi, o menino sírio que foi encontrado sem vida junto a uma praia da Turquia em 2015.

Os ataques e conflitos que têm assolado a Birmânia, desde outubro, são motivados pela perseguição e exterminação da minoria muçulmana rohingya, cuja cidadania não é reconhecida por aquele país. Por essa razão, as autoridades e as forças do exército decidiram limitar a sua liberdade, forçando milhares a viver confinados nas suas aldeias ou em campos de refugiados. Contudo, e após os sucessivos ataques aos rohingya, muitos deles procuram abrigo e mantêm-se em fuga durante dias, tentando atravessar o rio para o país vizinho, o Bangladesh.

Segundo a CNN, o governo birmanês tem negado, repetidamente, todas as alegações de violação dos direitos humanos dos rohingya e chega ainda a culpá-los pelos seus ataques.