António Costa decretou três dias de luto nacional (a partir de segunda-feira) e honras de funeral de Estado para Mário Soares. De visita à Índia, o primeiro-ministro português revelou, porém, que não participará nas cerimónias fúnebres.

“Estando em visita de Estado, não poderei estar pessoalmente presente, mas envio ao João, à Isabel, filhos de Mário Soares, e aos netos, um grande abraço”, declarou o líder do executivo português, que se dirigiu aos jornalistas a partir do hotel onde está instalado em Nova Deli, em frente a um cenário improvisado.

Falando de uma “gratidão e saudade que será sempre eterna”, António Costa começou por dizer que hoje perdemos “aquele que foi tanta vez o rosto e a voz da nossa liberdade”. “Mário Soares foi um homem que durante toda a sua vida se bateu pela liberdade. Fê-lo contra a ditadura e por isso sofreu a prisão, a deportação, o exílio.”

“Debateu-se pela liberdade e democracia depois do 25 de Abril e a ele lhe devemos também ter sabido por fim ao colonialismo e assegurar a integração europeia de Portugal.”

Descrevendo o antigo Presidente da República como “alguém que teria sido insubstituível na historia recente” de Portugal, o primeiro-ministro português salientou que todos os portugueses lhe devem muito. “Ficamos-lhe eternamente grato. Deu um contributo único e insubstituível para hoje sermos um país democrático e europeu.”

“Mário Soares é o pai da democracia portuguesa”

Para Augusto Santos Silva, “é muito fácil dizer”: “Mário Soares é o pai da democracia portuguesa, antes do 25 de Abril e depois do 25 de Abril”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros durante a visita de Estado à Índia. “É o pai do reencontro de Portugal com a sua História, com o seu espaço cultura. É a pessoa mais importante, pelo menos para a minha geração.”

Questionado pelos jornalistas em Nova Deli, Santos Silva disse que a melhor maneira de preservar a memória de Mário Soares é “continuarmos todos a lutar por aquilo em que acreditamos”. “Todos acreditamos em coisas diferentes e, por isso, eu hoje nem queria lembrar o Mário Soares socialista”, confessou.

“Queria lembrar o Mário Soares pessoa, português de primeira e democrata. Acho que a lição principal que ele nos deixa é a de que todos somos necessários (…) e devemos trabalhar todos em função daquilo que acreditamos sem nunca ceder em função dos valores que acreditamos ser fundamentais.”

Sobre a permanência da comitiva portuguesa na Índia, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse desconfiar que se “Mário Soares soubesse ficaria contente com esta decisão”. “Ele sempre pôs os interesses do estado, da nação e dos portugueses acima de quaisquer outros”, disse Santos Silva, que se encontra em Nova Deli com António Costa.

“Estamos a iniciar uma vista de Estado que é muito importante. A visita de Estado tem momentos políticos que são determinantes e julgo que faz sentido”, afirmou, recordando que Mário Soares foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que participou no restabelecimento das relações diplomáticas com a Índia. “Portanto, julgo que ele se sentiria perfeitamente a vontade.”