Em linguagem militar, comodoro é o termo que designa o oficial da marinha acima do capitão. Em linguagem de moda, é o nome de uma nova marca portuguesa inspirada na herança das descobertas marítimas portuguesas. E é para usar ao peito, ou não estivéssemos a falar de gravatas.

“Este nome está enraizado na portugalidade e em todo o caminho desbravado pelos portugueses por via marítima. Esses caminhos que os navegadores portugueses desbravaram são os mesmos caminhos que a marca quer desbravar”, diz Bernardo Marques, um dos sócios da Comodoro, ao Observador.

Sobre esses caminhos, a Comodoro percebeu que, no que às gravatas diz respeito, havia mares nunca dantes navegados. Ou seja, pouca oferta de estilos, padrões e locais de compra e, assim, uma oportunidade de conquistar um sector que consideram ser fundamental na moda masculina.

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A gravata Infante D. Henrique ao lado da Vasco da Gama.

A primeira conversa entre os sócios da marca aconteceu durante um casamento, o contexto ideal para ver gravatas a passar. Nenhum dos fundadores — Bernardo Marques (30 anos, empresário e consultor de marketing), Martim Oliveira (34, empresário), Luís Arouca (38 anos, empresário) e Nuno Guimarães (45 anos, empresário) — identificou “uma boa loja para comprar gravatas em Portugal”. Depois de pesquisas e análises a sites internacionais, não restaram dúvidas: “Tínhamos de avançar e ter uma marca 100% portuguesa e que refletisse o espírito de perseverança e resiliência característico dos portugueses.”

Gil Eanes, Pedro Álvares Cabral, Infante D. Henrique, Tânger, Rosa dos Ventos, Nau, Goa e Astrolábio são algumas das gravatas da primeira coleção da Comoro, todas elas inspiradas na época dos Descobrimentos e nos seus heróis, terras visitadas ou instrumentos náuticos.

A essa primeira coleção seguiu-se a “Portuguese Contemporary Heroes”, para enaltecer não o passado mas os empreendedores que ousam fazer diferente e rumar contra as adversidades atuais. Para isso a equipa selecionou um conjunto de marcas, projetos e pessoas com que se identifica, e batizou as gravatas com os seus nomes. Há a gravata Santini, a RFM, a Outjazz, a Capitão Fasto, a Salvador Martinha, a Alerta Emprego e outras 18 com estilo empreendedor.

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Com preços que vão dos 29€ aos 59€, há gravatas de seda italiana, poliéster, linho, lã e até cortiça portuguesa. Já a forma não é sempre a tradicional, por isso não se espante se encontrar algumas com o fim reto e não triangular. Quanto aos padrões, há vários para satisfazer diferentes gostos, como explica Bernardo: “Os homens veem com muito bons olhos estas alternativas para se diferenciarem no trabalho, casamentos e festas.”

Todas as gravatas são feitas à mão, numa fábrica em Famalicão, e para cada coleção foram criados também lenços com os mesmos padrões e alguns laços. Para breve estão outras rotas e conquistas dirigidas pelo mesmo comodoro: começar a confecionar meias e sapatos.

Nome: Comodoro
Data: 2016
Pontos de venda: Loja online, Le Frique, Paez da Rua do Alecrim, Cais à Porta e Amoreiras
Preços: De 29€ a 59€

100% português é uma rubrica dedicada a marcas nacionais que achamos que tem de conhecer.