Estaremos perante o fim do gelo no Ártico? Este ano foi registado um mínimo histórico de gelo durante dois meses consecutivos e as temperaturas registaram um aumento de dez graus acima do habitual, o que fez com que o gelo começasse a diminuir em vez de aumentar, dá conta o El Mundo. Peter Wadhams, glaciólogo e professor na Universidade de Cambridge, prevê que o verão de 2017 entre, provavelmente, para a história por ser “a primeira vez em 100 mil anos que o Ártico poderá vir a ficar livre de gelo”.

“Se este ano não acontecer, vai acontecer no ano a seguir ou antes da década acabar”, defende Wadhams. “Tudo está a decorrer de uma maneira mais drástica e rápida do que aquilo que prevíamos. A massa de gelo está a diminuir, a ficar mais fina e a colapsar”, acrescenta.

No entanto, as teorias do especialista são vistas, na maior parte das vezes, como “alarmistas” e “apocalípticas”. Alguns cientistas contrariam-no e utilizam o aumento do gelo na Antártida como argumento. Contudo, Wadhams não parece ter ficado convencido. “É verdade que durante quatro décadas se produziu um avanço na superfície de gelo no polo sul, mas essa tendência já não se observa. Em novembro registou-se um mínimo histórico de gelo e estão a ocorrer outros fenómenos, como o recente desprendimento do iceberg de cinco mil quilómetros quadrados, que indica também que alguma coisa de errado se está a passar”, afirma o glaciólogo ao El Mundo.

Peter Whadams salienta o papel fundamental do gelo não só para o Ártico, mas também para o planeta no geral. “O gelo desempenha um papel vital na regulação e estabilização do clima do planeta. A criosfera é, por assim dizer, um sistema de ‘ar condicionado’ que impede o aquecimento em excesso. O desaparecimento do gelo pode fazer com que todos os esforços sejam inúteis para limitar as emissões de CO2”, acrescenta.

Se realmente o Ártico disser adeus ao gelo:

  • Existiria uma diminuição do albedo (medida da quantidade de radiação solar refletida por um corpo ou uma superfície): a superfície terrestre iria absorver mais calor;
  • Iria dar-se uma subida do nível médio da água do mar: o desaparecimento do gelo do Ártico iria fazer com que existisse uma subida entre 80 a 90 centímetros do nível da água do mar no final do século;
  • Iria ser libertado metano: a libertação deste gás, presente abaixo da camada de gelo, provocaria um aquecimento de até 0,6 graus no planeta.