O quarto Congresso dos Jornalistas “é um ponto de partida” para “começar qualquer coisa de diferente”, afirmou a presidente, Maria Flor Pedroso, salientando que “só se pode esperar aquilo que os jornalistas queiram que se reflita” no evento. O encontro realiza-se em Lisboa, no cinema São Jorge, entre 12 e 15 de janeiro, depois de um hiato de quase 20 anos, sob o mote “Afirmar o jornalismo”.

O evento “não é um meio em si”, o objetivo “é ser um ponto de partida para depois começar qualquer coisa de diferente, noutra base de reflexão, de trabalho e de perspetiva de futuro, porque todos nós sabemos a desmotivação que grassa por todas as redações, noutras mais, noutras menos”, afirmou à Lusa a presidente da comissão organizadora do congresso.

“Só se pode esperar aquilo que os jornalistas queiram que se reflita e que se discuta e que se conclua neste congresso”, acrescentou, recordando que houve “um hiato de quase duas décadas” desde o último congresso do setor.

Para Maria Flor Pedro, isso “também reflete o estado em que a classe não se auto-questiona, porque obviamente este hiato significa que a classe não sentiu necessidade. Só pode significar isso ou então não teve capacidade para”.

“Esperamos que este congresso sirva para que os jornalistas reflitam sobre os seus principais problemas. Se calhar, não vamos chegar ao fim das discussões de todos os problemas, mas alguns ficam enunciados”, para que depois as organizações e os jornalistas tenham capacidade de exigir respostas, disse.

Maria Flor Pedroso destacou o facto de este congresso contar, “pela primeira vez, com as três organizações de jornalistas – Sindicato dos Jornalistas, Casa de Imprensa e Clube de Jornalistas -, o que é “uma novidade absoluta”.

Os três congressos anteriores “foram promovidos apenas única e exclusivamente pelo Sindicato dos Jornalistas”, recordou. “Garanto que faz toda a diferença” as três organizações estarem a envolvidas no congresso, disse Maria Flor Pedroso, que fez parte do anterior congresso.

A presidente do quarto Congresso dos Jornalistas salientou que este foi um projeto muito participado e que mobilizou muita gente, contando com mais de 500 pessoas inscritas até ao momento. Questionada sobre se o jornalismo atravessa uma crise de identidade, Maria Flor Pedroso afirmou que o mundo está nessa fase. “Eu acho que o mundo está em crise de identidade, os jornalistas fazem parte do mundo, o mundo está constantemente a mudar e, portanto, há aqui um processo de adaptação, há alguns que se adaptaram mais rápido, outros mais lento, como todo os outros setores, e esse também acho que deve ser um dos temas do congresso”, disse.

O congresso contará com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no dia da abertura. Entre os vários temas abordados durante o evento, destaque para uma mesa redonda com todos os diretores dos órgãos de comunicação social, que irão debater o setor.

Maria Flor Pedroso destacou ainda a constituição de uma comissão científica consultiva, presidida por Manuel Pinto, que junto da comissão organizadora tratou das comunicações que serão apresentadas no congresso.