Jovens de 15 escolas de sete países apresentam, a partir desta quarta-feira, em Santarém, propostas para reverter as alterações climáticas, no 19.º Encontro Internacional de Jovens Cientistas das escolas associadas da UNESCO.

O encontro, organizado pela Escola Secundária Sá da Bandeira (ESSB) desde 1998, inicialmente apenas com escolas portuguesas, tem vindo a realizar-se anualmente, com um número crescente de escolas, um pouco por todo o mundo, interessadas em participar, disse à Lusa José Barrão, docente da escola, entretanto aposentado, que se mantém ligado ao projeto desde o início.

Para o encontro deste ano a organização escolheu o tema da Cimeira de Paris, desafiando os jovens a “seguirem o pensamento científico” e a fazerem trabalhos de investigação em torno de três subtemas: “Alterações Climáticas — Papel das Escolas na Redução das Suas Causas”, “Alterações Climáticas — Papel das Escolas na Minimização das Suas Consequências” e “Alterações Climáticas — Pesquisas Fora da Escola”.

Aos 32 alunos de cinco escolas portuguesas (três delas de Santarém), quatro espanholas, duas dos Estados Unidos da América, uma da Alemanha, uma de Andorra e uma de Itália, juntam-se alunos de uma escola do Brasil que, devido à dificuldade de deslocação, participam à distância, disse.

A regularidade e persistência na organização deste evento, destinado aos “cientistas do futuro”, valeram à Escola Secundária Sá da Bandeira o Prémio Pilar Para a Paz, atribuído em 2005 pela UNESCO.

O desafio surgiu num encontro realizado em Paris em 1998 com escolas de todo o mundo e no qual foi pedido às escolas que desenvolvessem projetos semelhantes, no sentido do incentivo aos jovens, sobretudo às mulheres, para abraçarem as ciências. De Portugal estava uma professora e uma aluna da ESSB e uma aluna do Porto. Fomos a única escola que deu seguimento a esse desafio.

O encontro é organizado em colaboração com a Comissão Nacional da UNESCO e a Associação de Pais da ESSB, tem financiamento e apoio logístico de instituições como a Fundação Gulbenkian, a Câmara de Santarém, a União de Freguesias da cidade e dois bancos e apoio científico e cultural do Instituto Superior de Agronomia, do Observatório do Sobreiro e da Cortiça de Coruche, do Conservatório de Música de Santarém (também associado da UNESCO), da Casa do Brasil, Ecopilhas e Casa da Caldeira.

Esta quarta-feira é dedicada à receção dos participantes, com atividades como a plantação de um sobreiro e uma visita ao centro histórico de Santarém, sendo os serões dinamizados pelos próprios alunos.

No átrio da biblioteca da escola estão várias exposições e produtos, sendo as conclusões dos trabalhos relativos aos dois primeiros subtemas apresentados ao final da tarde de quinta-feira, com as conclusões finais a serem apresentadas no sábado de manhã.

Na sexta-feira, o grupo irá ao Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, para a visita de estudo “Floresta e alterações climáticas”, terminando o encontro com a apresentação do tema da edição do próximo ano, que será dedicada ao Património Intangível.