A porta de casa está fechada. A chave não está no bolso do casaco. Revolve a mala e também não encontra nada. Vai mesmo ter de ligar aos bombeiros, mas desta vez o esquecimento vai ficar-lhe mais caro: a Polícia, que tem de estar presente neste tipo de situações, vai começar a cobrar 15 euros por hora só para assistir à abertura da porta.

O preço consta da tabela publicada esta quinta-feira em Diário da República, em que são fixados os valores a cobrar por uma série de serviços que já eram prestados pela PSP e pela GNR, mas que ou não eram cobrados ou tinham valores diferentes, em função de quem os realizasse.

A partir de agora, o aluguer de grades — do mesmo tipo das usadas, por exemplo, nas manifestações, para conter a massa de pessoas em protesto — vai custar 2,5 euros por dia, por grade. Usar a carreira de tiro custa 20 euros à hora por atirador. Se ceder um cavalo, a GNR vai cobrar 100 euros por dia. Um carro ligeiro custa 20 euros mas um veículo pesado já fica por 40. O auditório de edifícios das forças de segurança é mais caro: 150 euros. Um “espaço polidesportivo” custa 80 euros à hora mas se se tratar de uma sala de prática desportiva o preço baixa para os 60 euros à hora.

A portaria, assinada pelos ministérios da Administração Interna e das Finanças, estabelece que os valores cobrados “constituem receitas próprias da GNR e da PSP“. O Governo explica que a fixação de preços se deve ao “acréscimo substancial do número de pedidos de cedência de animais, equipamentos e infraestruturas das forças de segurança e de solicitações de prestação de serviços, para fins que não decorrem diretamente da missão policial”.

Uma situação que tem “originado uma exigência acrescida na alocação de meios humanos e materiais e, consequentemente, a assunção, por parte da GNR e da PSP, de custos económicos significativos que fragilizam, por via do correspondente impacto orçamental, a capacidade de financiamento da sua atividade nuclear”.