O Serviço Bolivariano de Informação (Sebin – serviços secretos) da Venezuela deteve o deputado Gilber Alexander Caro Alfonzo, do partido da oposição Vontade Popular, sob a acusação de “fomentar atos terroristas”, anunciou esta quinta-feira o vice-Presidente.

A detenção, anunciada na televisão estatal VTV por Tareck El Aissami, ocorreu na quarta-feira, um dia depois de o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter dado posse ao Comando Nacional Anti Golpe (CAG), criado para adotar medidas preventivas, legais e corretivas, contra os setores golpistas e “preservar a paz, estabilidade e soberania” da população.

Segundo Tareck El Aissami, o deputado ter-se-ia reunido com alegados criminosos na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia para fomentar um plano de “desestabilização nacional”. Gilber Alexander Caro Alfonzo teria cruzado a fronteira até à Colômbia e a saída do país não ficou registada, pelo que será “castigado com todo o peso da lei”.

“A direita venezuelana tem um plano para desestabilizar o país (…), documentos confiscados a este senhor revelam nomes de dirigentes da oposição venezuelana que seriam assassinados, para depois culpar o Governo bolivariano”, frisou, precisando que confiscaram ao deputado uma arma militar e 20 cartuchos. A aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) já reagiu à detenção e acusa o Governo venezuelano de autoritarismo.

“Quando um regime autoritário, que antes era capaz de ganhar eleições, perde essa capacidade, não deixa de ser um poder arrogante, sectário, prepotente. Isso é o que está a acontecer na Venezuela. Nicolás Maduro não ganhará nunca mais uma eleição (..) querem continuar a manipular o poder e substituir com violência institucional e física o apoio popular perdido”, referiu a MUD num comunicado.

Segundo a MUD, o regime forjou provas para violar a imunidade parlamentar do deputado, destruí-lo moralmente e privá-lo ilegalmente da liberdade.

Por outro lado, segundo a MUD, o regime está também a preparar uma falsa acusação contra o ex-candidato presidencial opositor Henrique Capriles Radonski sobre alegadas irregularidades administrativas como governador do estado de Miranda, para o fragilizar politicamente e eventualmente detê-lo.

“Em vez de comando anti-golpe, o regime acelera a sua estratégia antidemocrática de golpe continuado contra a democracia, a Constituição e o povo, não reconhecendo o parlamento, prendendo deputados da oposição e fustigando governadores da MUD”, afirmou.

Horas depois de tomar posse, o Comando Anti Golpe efetuou uma rusga na casa do ex-ministro da Defesa de Hugo Chávez, o general Raul Isaías Baduel, que se encontra atualmente detido por alegadas irregularidades durante a sua gestão. Em 2015, um tribunal venezuelano condenou o filho de Raul Emilio Baduel a oito anos de prisão por associação para cometer um delito.

Raul Emilio Baduel foi detido durante um cordão humano de protesto contra Nicolás Maduro, em Maracay (100 quilómetros a oeste de Caracas).