Pedro Passos Coelho respondeu esta sexta-feira às críticas do PS sobre a intenção do PSD de votar contra a descida da Taxa Social Única (TSU) — medida que também merece a oposição das bancadas parlamentares mais à esquerda. “O Governo e o Partido Socialista, em vez de criticarem o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, insultam o PSD”, disse Passos Coelho durante um jantar-convívio organizado pelos membros da distrital de Faro no parque de campismo de Albufeira,.

“Dizem: ‘Ai, os senhores, se isto for ao Parlamento, não votam? São uns irresponsáveis anti-patrióticos! Estão a pôr em causa a concertação social’! E eu pergunto: ai somos nós que pomos em causa a concertação social? Eles é que fazem o negócio, desentendem-se entre eles e nós é que temos a responsabilidade? Há aqui qualquer coisa que não está a funcionar bem!”, afirmou ainda o líder do PSD.

Sobre a descida da TSU, Passos Coelho garantiu que não valia a pena pedir “o nosso apoio para isso”. Se dento da maioria não se entendem para resolver este problema e forem os próprios partidos da maioria a levar a questão à Assembleia da República, o nosso voto não têm. Isso que fique claro”, disse.

Acusando o PS de, sempre que “alguma coisa corre mal e falha”, usar o PSD como “bode expiatório”, Pedro Passos Coelho garantiu que o seu partido “não faz parte da geringonça nem nunca fará”. Passos Coelho considerou ainda que são os partidos da maioria que devem “agora resolver a questão”, mas pediu para “explicarem ao país quer as perversidades [da medida] quer o custo de andar a dizer que o salário mínimo deve ser pequeno”.

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“Nós que defendemos a melhoria do salário mínimo e que o aumentámos, quisemos que ele refletisse a evolução da capacidade da economia para pagar melhores salários. Este Governo faz de conta e arranja vários artifícios para esconder os custos verdadeiros do que na prática mandou pagar”, contrapôs.

O presidente do PSD recordou que o seu Governo disse “excecionalmente que, durante uns meses, até ao final de 2015 e só ao final de 2015, aceitava baixar um bocadinho a TSU”, mas frisou que “não era a Segurança Social a suportar essa perda, era o Orçamento do Estado que transferia para a Segurança Social esse valor”.

“É uma escolha que fazemos, durante um ano compensamos a Segurança Social neste montante, mas em contrapartida, para futuro, o salário mínimo ficará muito ligado à evolução da produtividade. Este governo atirou este acordo para o caixote do lixo, não quis saber da produtividade e impôs na prática um aumento do salário mínimo que não é coberto pela produtividade”, acrescentou.

Passos Coelho considerou ainda que, como o Governo sabe que a subida do salário mínimo nacional acordada na concertação social “magoa as empresas”, disse que vai “compensá-las e institucionalizar o que é excecional”. “Todos os anos fixa o valor que sabe que as empresas não estão em condições de pagar e depois perdoa às empresas esse dinheiro, isto é perverso”, acrescentou, defendendo que esta solução é uma “perversão completa” porque um “Governo que quer uma economia com salários mais altos, está a promover incentivos para os salários serem mais baixos”.

César acusa PSD de “jogatana política”

Esta sexta-feira, Carlos César acusou o PSD de utilizar a TSU e o acordo de concertação social para fazer uma “jogatana política”, contrariando, inclusivamente, o que os próprios sociais-democratas “defenderam num passado recente”. O “essencial”, admitiu o presidente e líder parlamentar do PS, “será preservar a subida do salário mínimo e também a conformidade” com as obrigações orçamentais do país, mas de todo o modo o socialista definiu como “absolutamente lamentável” a posição do PSD.

“O entendimento do PS é que um partido com responsabilidades e um partido central na vida política portuguesa deve ter em consideração que os acordos celebrados no âmbito da concertação social são essenciais, devem ser preservados e defendidos”, advogou César, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

O PSD anunciou na quinta-feira que votará favoravelmente as apreciações parlamentares do BE e do PCP que pretendem revogar a descida da TSU em 1,25 pontos percentuais acordada em sede de concertação social, caso o o Governo aprove um decreto sobre esta matéria.

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