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O antigo presidente do parlamento espanhol, Patxi López, apresentou este domingo a candidatura à presidência do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), com um discurso em que propõe o “regresso ao socialismo“, rejeitando “terceiras vias como desculpa para defender políticas de direita.” E acrescentou: “O meu projeto é a social-democracia”. O candidato à sucessão de Pedro Sánchez — que deverá enfrentar a andaluza Susana Díaz — diz sentir-se “com forças para reconstruir o partido, para unir de novo todos em torno do mesmo projeto” e “derrotar a direita“.

O Congresso dos socialistas foi marcado no sábado e vai realizar-se a 17 e 18 de junho. No lançamento da candidatura este domingo, Patxi López disse que faz falta um PSOE “renovado, unido, progressista, de esquerdas, que consiga o apoio da maioria social do país para recuperar direitos e liberdades”. O antigo presidente do governo regional basco disse ainda que “mão são tempos de cálculos de poder, sem propostas claras.”

O basco disse ainda que assume “todo o legado do PSOE”, incluindo os erros, propondo-se a “reivindicar o papel do PSOE na construção e na modernização do Estado espanhol”. Patxi López disse ainda que o PSOE não pode ser “um analgésico das políticas de direita” e lamentou que o partido tenha feito uma “matização excessiva do socialismo“.

O candidato à liderança dos socialistas espanhóis (partido homólogo do Partido Socialista português) garante que não é um “candidato contra ninguém” e que não avança só para impedir outros avanços e recusa “os rótulos no PSOE, o sanchismo [de Pedro Sánchez], não sei se há patxismo, susanismo… Todos somos socialistas”.

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Num discurso de unidade, Patxi López recusou tirar Pedro Sánchez de cena, já que “todos são absolutamente imprescindíveis”, num partido que quer “ativo, com uma liderança coletiva e onde todos contem, desde o cargo mais importante até ao recém chegado militante”.

Sobre a abstenção do PSOE que permitiu a Mariano Rajoy formar governo (decisão que esteve na origem da queda de Pedro Sánchez), López considera que “foi um erro a abstenção para dar o Governo a Rajoy. Não partilhava dessa decisão, mas respeitei o que foi aprovado nos órgãos do partido.”

Quem é Patxi López?

O ex-presidente do parlamento espanhol e do País Basco nasceu em Barakaldo (Biscaia, País Basco) em 1959 e é militante do PSOE desde 1977. Patxi estou engenharia industrial na Universidade do País Basco e foi deputado basco entre 1991 e 2014. É casado com Begoña Gil, secretária de Política Institucional e Reformas Institucionais da federação basca do PSOE, tendo por isso também assento no comité federal. O órgão que reúne este sábado para funciona num sistema parlamentário e é diretamente responsável pela linha política e pelo controlo da direção do partido (o comité executivo).

Patxi López foi presidente do parlamento espanhol entre janeiro e julho de 2016, apesar de ser do segundo partido mais votado. O basco foi eleito por via de um acordo do PSOE (que na altura tinha 90 deputados) com o Ciudadanos (40) levou a que o PP de Rajoy não apresentasse qualquer candidato.

Tal como tinha acontecido com Ferro Rodrigues em Portugal, também em Espanha Patxi foi o primeiro presidente do Parlamento de Espanha que não saiu das fileiras do maior partido no Parlamento. O presidente do Parlamento português enviou na altura uma mensagem ao agora candidato à liderança do PSOE desejando que ambos pudessem contribuir “para a dignificação da atividade parlamentar e para uma cada vez maior proximidade entre eleitos e eleitores”. Ferro acrescentou ainda: “Não quero deixar de expressar, desde já, o meu desejo de que nos possamos encontrar em breve, o que, espero, signifique a vontade de estreitarmos as já fortes relações entre os nossos parlamentos”.

Patxi fez uma pequena traição a Sánchez quando em novembro publicou um artigo no El País a dizer que estava “na hora de reconstruir o partido, sarar as feridas e procurar a força da unidade, mas também de renovar o nosso projeto”.