Se um McLaren, seja ele qual for, já não é um automóvel qualquer, um 675LT ainda o é menos, pois deste modelo a marca só produzirá 500 exemplares. Mas houve quem não ficasse satisfeito em “simplesmente” aceder a uma versão Spider do superdesportivo britânico, que por sinal também era uma das apenas 25 unidades pertencentes à chamada Carbon Series, e ainda uma das três únicas a contar com uma pintura exterior que permite que o padrão da fibra de carbono da carroçaria seja visível.

O nome do “excêntrico” não foi, obviamente, revelado. Mas sabe-se que é alguém sem dificuldades financeiras, por sinal já possuidor de um não menos exclusivo McLaren P1, que decidiu que seria seu o 675LT mais dispendioso do planeta.

Para o conseguir, foram necessárias nada menos do que 100 horas para a configuração do veículo no concessionário da marca de Beverly Hills. A que há que juntar três deslocações, in persona, do seu futuro proprietário à sede da McLaren em Woking, Inglaterra, para definir com os técnicos da sua divisão de veículos especiais, a MSO (McLaren Special Operations), todos os detalhes deste 675LT realmente único.

O resultado final pode ser de gosto discutível, mas também é, no mínimo, impressionante. A pintura azul especial da MSO, que permite que o entrelaçado da fibra de carbono dos painéis da carroçaria seja visível apenas sob certos ângulos, é complementada por listas cinzentas com rebordos dourados. Nas jantes douradas, a combinar, até os pesos destinados a calibrá-las são pintados da mesma cor!

O compartimento do motor, esse, é isolado a ouro, evocando o lendário McLaren F1, de 1993, que utilizava este material precioso no mesmo local por ser um excelente condutor térmico e arrefecer com facilidade – algo essencial para garantir a sanidade do seu motor 6.1-V12 de origem BMW, com mais de 600 cv.

Junte-se a isto quase tudo o que é possível imaginar em termos de opcionais, incluindo o emblema da McLaren embutido no capot dianteiro, concebido por electrodeposição a partir de uma placa de prata pura com 1 mm de espessura. E assim se compreende que o preço final deste 675LT Spider praticamente tenha duplicado face aos quase 400 mil euros pedidos por um 675LT Coupé “série”. O que, por si só, já seria o sonho de boa parte dos amantes dos automóveis de altas prestações…

Membro mais destacado da família Super Series da McLaren, o 675LT tem por inspiração o mítico McLaren F1 GTR Longtail, que se caracterizava pela sua secção traseira bastante modificada face ao original, para tirar pleno partido da regulamentação desportiva da época – foram construídos somente 10 exemplares, e apenas três destinados a uma utilização na via pública, tendo ficado célebre a sua participação nas 24 Horas de Le Mans de 1997, em que conquistou o segundo e terceiro lugares da geral, e as duas primeiras posições na Classe GT1, com quase 30 voltas de vantagem sobre o terceiro classificado.

Com uma aerodinâmica específica, que lhe garante uma downforce 40% superior à de qualquer outro membro da gama Super Series, o 675LT é, ainda, 100 kg mais leve do que o já de si impressionante 650S, graças a inúmeras alterações destinadas a reduzir o peso, que abrangeram até os mais ínfimos pormenores, incluindo as bacquets em fibra de carbono e o pára-brisas 1 mm mais fino. O motor, esse, é o conhecido V8 biturbo com 675 cv e 700 Nm (mais 25 cv e mais 22 Nm do que no 650 S), que tem acoplada uma versão da caixa de velocidades pilotada de dupla embraiagem e sete relações, capaz de assegurar trocas de mudanças duas vezes mais rápidas do que no 650 S.

As jantes forjadas revestidas por pneus Pirelli P-Zero Trofeo R, os travões carbonocerâmicos e a suspensão ainda mais desportiva, com tecnologia proveniente do McLaren P1, são mais alguns dos atributos que fazem do 675LT um automóvel tão especial. Para os que gostam de números, e mesmo que o desempenho dinâmico seja anunciado como uma das suas maiores qualidades, aqui ficam os mais relevantes: velocidade máxima de 330 km/h, 2,9 segundos nos 0-100 km/h, 7,9 segundos nos 0-200 km/h e um preço à saída de fábrica a rondar os 400 mil euros.