A Comissão Europeia acredita que, apesar do esforço de consolidação conduzido pelo Governo espanhol, Madrid não estará em condições de cumprir as metas do défice em 2017, devendo acabar o ano com um défice de 3,3%, duas décimas (2.100 milhões de euros) acima do objetivo. A notícia é avançada pelo El País, que teve acesso à avaliação apresentada esta terça-feira por Bruxelas. De acordo com o jornal espanhol, a Comissão Europeia considera que Madrid deve estar pronta para adotar mais medidas de consolidação, de forma a atingir as metas delineadas.

A concretizar-se, continua a mesma publicação, esta será a sexta vez que o Governo de Mariano Rajoy falha as metas do défice em seis anos. E, se nada mudar, escreve o El País citando o relatório da Comissão Europeia, a meta de 2018 também vai falhar: o défice deverá fixar-se nos 2,8%, longe dos 2,2% acordados com Bruxelas.

Se estes cenários se verificarem, o Governo espanhol deve aprovar novos cortes e novos aumentos de impostos, sugere a Comissão Europeia. Isto, apesar de Mariano Rajoy ter prometido, em plena campanha eleitoral, um caminho diametralmente oposto, com a diminuição de alguns impostos. A margem para falhar, no entanto, é reduzida, depois de Espanha — como Portugal — ter escapado à aplicação de sanções e ao congelamento de fundos comunitários na 25ª hora.

Apesar de todos os avisos vindos de Bruxelas, a Comissão Europeia não deixa de referir que o Orçamento do Estado espanhol para 2017 “cumpre na generalidade as linhas gerais” definidas. Uma boa notícia, apesar de todos os avisos.