O livre era ligeiramente descaído para a direita, a poucos metros da esquina da área. Aproximou-se da bola Patrão, que é canhoto, esperar-se-ia dele um cruzamento tenso e para a entrada da área, na esperança que (naquele jogo-do-empurra a que lá se assistia) um flaviense saltasse mais alto e desviasse a “menina”. Dito e feito.

Quem saltou foi Ponck. Quem não saltou foi toda a defesa do Sporting — sobretudo Coates, que deveria impedi-lo de fazer o que fez. O Chaves, aos 87′, e num jogo em que até foi superior e mais perigoso, eliminava o Sporting da Taça de Portugal. O nome deste médio cabo-verdiano (dos quadros do Benfica, diga-se) é quase uma onomatopeia que resume toda a época do Sporting até aqui: Ponck! Liga dos Campeões? Ponck! Apuramento para a Liga Europa? Ponck! Taça da Liga? Ponck! Taça de Portugal? Ponck! Campeonato? Pon…

Mas voltemos ao início. E a coisa até prometia no início. Logo aos nove minutos, um remate. E para o Chaves. Depois de um pontapé de baliza de António Filipe, uma reposição que foi de área a área, Ricardo Esgaio saltou com Rafael Lopes, perdeu a disputa de bola nas alturas, esta sobrou para Fábio Martins e, dentro da área, Fábio rematou em “vólei”. Beto desviou para canto.

Três minutos depois, outra vez Fábio Martins a chutar. E outra vez Beto a negar o primeiro golo ao Chaves. A meio-campo, bem no centro deste, Braga cruzou para a área, a bola caiu na esquerda, Fábio estava nas costas de Gelson Martins, o extremo do Sporting deixou a bola passar, o do Chaves amorteceu-a no peito e, cara a cara com o guarda-redes, rematou forte e sem deixar a bola cair sobre o relvado. Beto até é “meia-leca” para quem faz da defesa de uma baliza profissão, mas aqui foi um Adamastor.

Só à passagem da meia-hora o Sporting deu um sinal da sua graça em Chaves. André Felipe deixou a bola em Gelson Martins à direita, perto da esquina da área, e o que se seguiu foi Gelson a ser Gelson: drible curto, desconcertante e que deixa rins feitos num oito, sempre em velocidade e vertical, o extremo driblou Nélson Lenho e Freire, depois Fábio Martins, até que rematou cruzado, na direção do poste esquerdo do Chaves. António Filipe fez-se ao relvado e, como se comesse elásticos, esticou-se todo e desviou para canto.

Viria o intervalo. E o recomeço. Mas até que se voltasse a rematar neste jogo molengão, foi preciso esperar, esperar e esperar. Até aos 77′. E não fossem Bas Dost e Gelson Martins, ainda estaríamos à espera. O holandês desmarcou (com um passe “a rasgar”) o extremo dentro da área, Gelson lutou ombro a ombro com Lenho, ganhou-lhe a frente e, à saída de António Filipe, rematou. Tentou colocar a bola entre o guarda-redes do Chaves e o poste direito. Levou a melhor Filipe.

Antes do golo de Ponck, outra onomatopeia: plaft! Foi o que se escutou vindo da luva direita de Beto. O golo seria caricato — um golão, sim, porém caricato. Beto lesionou-se e pediu a Coates que batesse (80′) o pontapé de baliza. O uruguaio bateu-o mal, rasteiro e fraco, a bola acabou a meio-campo nos pés de Braga, que remataria logo na direção da baliza. E rematou porquê? Simples: como foi Coates a chutar, Beto afastou-se da baliza e deu alguns passos em frente. Confiou demais e… tramou-se. Ou quase. Teve que recuar à pressa e “voar” para desviar a bola para lá da barra.

Depois, viria o golo. E a eliminação do Sporting. Taças, não há, nem da Liga nem de Portugal. A Europa também cedo se foi na temporada. Resta o campeonato, mas até aí o Benfica vai com oito pontos de vantagem quando acaba de terminar a primeira volta. Sim, o Sporting está em crise. E não se recomenda. Ponck!